Comentário

Com os trabalhadores - Pelo País

Pedro Guerreiro
A defesa intransigente dos interesses dos trabalhadores e do País, alicerçada na profunda ligação à realidade nacional e na firme afirmação da soberania nacional, a permanente solidariedade internacionalista para com todos os povos, são fundamentos permanentes da intervenção do PCP, nomeadamente no quadro da União Europeia (UE).
A comprová-lo estão as inúmeras iniciativas em defesa dos interesses dos trabalhadores, das populações e da soberania nacional alicerçadas em acções de luta, em visitas, encontros ou colóquios realizados por todo o País. De que são exemplo, iniciativas em defesa dos direitos dos trabalhadores e das suas conquistas sociais (leis laborais, deslocalização de empresas, salários em atraso, segurança social, pensões ou serviços públicos). Em defesa da agricultura, das pescas, da indústria naval ou dos têxteis nacionais. Sobre a necessidade da suspensão e revisão do Pacto de Estabilidade. Sobre o combate aos paraísos fiscais. Sobre os direitos da mulher. Sobre a defesa do ambiente. Sobre as consequências dos trágicos incêndios deste ano.
Ou ainda as iniciativas contra a guerra, nomeadamente contra as recentes agressões lideradas pelos EUA, em flagrante violação do direito internacional e da Carta da ONU. Ou as iniciativas de solidariedade com os povos de Timor Leste, de Angola, de Moçambique, da Palestina, de Cuba, da Venezuela, da Colômbia, da Turquia ou do Sara Ocidental. Entre muitas outras.
Iniciativas realizadas no Pais e no Parlamento Europeu, no quadro do Grupo Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica, que os deputados do PCP integram, e que reúne forças políticas de 11 países da UE.

Por uma outra Europa

A defesa dos interesses dos trabalhadores e do País passa igualmente pela firme denúncia dos eixos fundamentais da UE, que dão resposta aos interesses dos grandes grupos económicos e dos grandes países, e pela apresentação de um valioso, actual e coerente património de propostas e de intervenção que verdadeiramente dão resposta aos interesses nacionais.
Como a oposição aos sucessivos avanços federalistas, de que a actual expressão máxima é a denominada «constituição europeia», e à submissão aos interesses dos grandes países e, pelo contrário, a defesa da soberania nacional, da soberania do povo português nas decisões fundamentais para o presente e o futuro do País, do pleno papel das instituições nacionais e não a sua alienação e desvalorização. Por uma Europa de cooperação e de progresso.
A luta contra a ofensiva das políticas capitalistas, contra as privatizações, contra a liberalização das leis laborais, contra o ataque aos salários, aos sistemas públicos de protecção social e de saúde e, pelo contrário, a profunda revisão das políticas económica e monetária da UE, a suspensão e revisão do Pacto de Estabilidade, por forma a dar prioridade ao desenvolvimento sustentado, ao investimento público, aos serviços públicos e ao emprego, aos direitos dos trabalhadores e à melhoria das suas condições de vida.
E a oposição à militarização da UE e à criação de um «exército europeu», expressão da ambição da criação de uma «parceria» com os EUA no domínio do Mundo e, pelo contrário, a promoção do desarmamento e do desanuviamento internacional, de uma Europa de paz e de cooperação, solidária com todos os povos do mundo.

Uma intervenção permanente

No quadro exigente com que nos defrontamos, somos o único partido que efectivamente está mobilizado e mobiliza os trabalhadores contra a ofensiva da política de direita do Governo PSD/CDS-PP, ofensiva que agride direitos e conquistas sociais fundamentais alcançadas com a Revolução de Abril, muitas das quais ainda hoje consagradas na Constituição. Realiza um vasto e diversificado conjunto de iniciativas que aprofundam a sua ligação à realidade nacional, o seu conhecimento dos problemas com que se debatem as populações, diferentes sectores e o País, avançando com propostas para a sua real resolução. E leva a cabo um amplo conjunto de tarefas que visam o reforço da sua organização e funcionamento. Acção levada a cabo por mulheres e homens que decidiram agir em comum, formando um colectivo corajoso e dedicado, que construiu igualmente a Festa que amanhã se inicia.
Sendo parte da nossa intervenção, assume particular importância a participação de todos - ou seja, de cada um de nós - no combate que se irá realizar até às eleições para o Parlamento Europeu, em Junho de 2004. Um combate que deverá contribuir para o reforço da força política mais consequente e coerente na defesa dos interesses dos trabalhadores e do País, dos valores e conquistas da Revolução de Abril e por uma outra Europa - o PCP.


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