Comunicação Social

Transformações, realidade e tendências

Com a participação dos jornalistas Alfredo Maia, César Príncipe e Rui Pereira, e moderação a cargo de José Pedro Rodrigues, realizou-se no Porto, por iniciativa da DORP, um debate sobre as transformações na Comunicação Social.

Verifica-se uma cada vez maior encenação da notícia

Os oradores do debate começaram por lembrar as profundas alterações em curso na comunicação social, tanto no domínio da concentração empresarial, como nas relações laborais, nos meios tecnológicos, embora no plano doutrinário alguns modelos teóricos tivessem sido já expostos na imprensa norte-americana de meados do século XIX.
A articulação entre notícia, espectáculo e publicidade, assim como os primeiros «opinion maker», encontram-se, nessa época, na figura de intelectuais arrependidos, como Walt Whitman.
Foi também um jornalista norte-americano, Walter Lippman, no século seguinte, o primeiro a falar na fabricação do consentimento, e foi nos Estados Unidos que surgiram referências às indústrias das relações públicas e da consciência, como esclareceu Rui Pereira.
Alfredo Maia chamou a atenção para o facto de, ao mesmo tempo que anualmente saem cerca de 1500 alunos formados nas escolas de Comunicação Social, também todos os anos aumentar o número de jornalistas que são despedidos ou convidados a rescindir o vínculo profissional. Foram 200 em 2001, mais de 500 em 2002, constatando-se este ano a mesma tendência.
Simultaneamente, vai também ficando claro que os grandes empórios conglomerados que operam nesta área funcionam como verdadeiros cartéis de mão-de-obra.
Com esta acelerada rotação de jornalistas, o capitalismo procura acabar com a memória, neutralizar o seu capital de experiência e de luta. Mas... parece enganar-se, dizem os participantes. De facto, lembram, a última greve geral foi histórica no sector, com a ampla participação que teve nos órgãos de Comunicação Social.

Falta mais democracia

No plano dos conteúdos, verifica-se uma cada vez maior encenação da notícia, a notícia hoje embute a publicidade, aumenta a confusão entre informação e entretenimento e amplia-se a ditadura das audiências, que faz dos cidadãos simples consumidores e põe em causa o direito à informação, livre e de qualidade.
O falso tem cada vez menos réplica, há cada vez mais notícias e menos informação. Depois da censura do lápis azul surge a auto-censura, pelo medo do despedimento ou do convite à rescisão, refinam-se as formas de manipulação informativa: estas foram outras ideias manifestadas tanto a partir da mesa como do público participante.
Como disse César Príncipe, a informação faz hoje parte da guerra psicológica, é orientada para o assalto às consciências e é hegemonizada globalmente pelo poder de Washington. O que impõe aos leitores, aos ouvintes, aos espectadores uma maior atenção e sentido crítico e obriga a que haja mais intervenientes - que escrevam, telefonem - e círculos de debates sobre o mundo informativo, que ajudem a despertar.
Esta foi, pois, uma iniciativa que se revelou do maior interesse, quer pelas pistas de reflexão que abriu no sentido de «discernir os mecanismos de representação da realidades», no dizer de José Pedro Rodrigues, quer «pela necessidade evidenciada de encontrar, de agir, num quadro em rápida e avassaladora mutação».


Mais artigos de: PCP

Nada de concreto

O PCP denunciou, no passado dia 20, que a ausência de uma política para as comunidades portuguesas ficou evidenciada nos discursos oficiais do 10 de Junho.

A estratégia da cedência

O PCP denunciou, em conferência de imprensa realizada na segunda-feira, que a política do Ministério da Defesa entra em confronto com os interesses nacionais.

Inverter a situação actual

A concelhia do Barreiro do PCP promove uma campanha «contra o desemprego e pelo emprego com direitos» que termina amanhã, com um comício.

Governo retrocede na luta contra a droga

«São já evidentes as linhas de orientação para, progressivamente, ir deixando cair as responsabilidades do Estado na rede pública de atendimento e tratamento e para privilegiar as “parcerias” e a “complementaridade” com os privados», denunciou Carlos Carvalhas anteontem à tarde. O secretário-geral do PCP interveio no...

Reforma do Sistema Político

A reforma do sistema político em curso nas suas várias vertentes, em particular a lei dos partidos e a lei do seu financiamento, eiveram no centro das várias intervenções concretizadas, nomeadamente na de Vítor Dias, membro da Comissão Política do PCP, que introduziu a discussão, chamando a atenção para o carácter...

TC volta a dar razão ao PCP

Comentando a decisão do plenário do Tribunal Constitucional, que reafirmou a decisão da primeira secção, ao julgar infundados os recursos apresentados por Edgar Correia, Carlos Luís Figueira e Carlos Brito, o Gabinete de Imprensa divulgou, no passado dia 19, a seguinte nota, que transcrevemos na íntegra: «O PCP tomou...

Saúde é um direito

A saúde tem estado em destaque, pelas piores razões, nas acções realizadas no âmbito da campanha do PCP, «1000 localidades: participação e desenvolvimento». A Comissão Concelhia de Sintra entregou, em meados do mês, ao Ministro da Saúde, uma carta reivindicativa para a melhoria da saúde pública no concelho. No...

Contrato de submissão

O PCP reagiu, no passado dia 19, em nota do seu Gabinete de Imprensa, à apresentação, por parte do Governo, das «Linhas Gerais para um Contrato Social para a Competitividade e Emprego». Para os comunistas, tudo não passa de uma operação de propaganda do executivo, num quadro de agravamento da situação social, resultante...

Um obstáculo no acesso à saúde

Com o aumento das taxas moderadoras, anunciadas pelo Governo, «acentuam-se as dificuldades da população em ter cuidados de saúde, aumentando o seu custo, apesar de a Constituição prever o carácter tendencialmente gratuito do Serviço Nacional de Saúde», acusa o PCP, em comunicado do Gabinete de Imprensa, de 18 de...

Atentados ambientais em Esposende

O presidente da Câmara Municipal de Esposende e a maioria PSD, que há anos governam o concelho, deviam explicar claramente aos munícipes por que razão foi licenciado o Loteamento no Pinhal de Ofir, «precisamente no momento em que esta zona foi proposta para integrar o futuro parque natural» ou por que estão a avançar «em...

Eleito do PCP agredido

O eleito comunista na Assembleia de Freguesia do Boelhe, em Penafiel, ficou ferido na sequência de uma cobarde agressão, protagonizada pelos sete eleitos do PSD na referida freguesia, e por dois familiares do secretário da Junta. Esta agressão foi o corolário de uma série de comportamentos anti-democráticos,...

Participar para desenvolver

A Comissão Concelhia de Bragança do PCP, acompanhada dos eleitos da CDU na Assembleia Municipal, visitou, no dia 1 de Junho, o Bairro do Campo redondo e as freguesias de Castro de Avelãs, Gostei e Nogueira, inteirando-se in loco das necessidades mais sentidas da população.A iniciativa, realizada no âmbito da campanha...

Um mundo de paz é possível

A Comissão Concelhia de Ovar do PCP promoveu, no passado dia 6 de Junho, no auditório da Junta de Freguesia de Ovar, um debate sobre «A situação internacional e o pós-guerra no Iraque».Luís Carapinha, colaborador da Secção Internacional do PCP que deu início ao debate, começou por considerar ser «ainda cedo» para falar...