Fazer o que se pode e mais ainda
A Câmara de Aljustrel tenta minimizar os impactos da grave situação social que se vive no concelho. Muitas vezes, excedendo as suas competências.
Face a um Governo ineficiente, a câmara excede as suas competências
A suspensão da laboração nas minas de Aljustrel criou uma grave situação social no concelho. Das centenas de trabalhadores que trabalhavam nas minas restam 82. Os restantes assinaram rescisões de contrato ou aceitaram a condição de reforma. Todos, mas todos, viram pioradas as suas condições de vida.
É com esta dura realidade que a autarquia de Aljustrel lida desde há mais de dez anos. José Godinho, presidente da câmara municipal, recorda que o facto de a laboração ter sido suspensa num momento em que tudo indiciava que fosse intensificada, aumentou ainda mais o choque colectivo. Mas tal como a restante comunidade de Aljustrel, também a autarquia não se deixou paralisar pelo abalo e procurou contribuir para minimizar os impactos negativos provocados pela decisão da empresa.
Mantendo como principal exigência a reabertura da mina, a Câmara Municipal procurou acabar com uma situação prejudicial para o concelho: a grande dependência de uma actividade, mesmo sabendo da vocação mineira da população. Esta vocação é tal que ainda hoje, suspensa a laboração nas minas há dez anos, o maior empregador dos trabalhadores do concelho é deste sector. Na Somincor, no município vizinho de Castro Verde, trabalham mais de duzentos aljustrelenses.
Não sendo a atracção de investimento uma competência municipal, a autarquia não ficou – nem podia ficar – de braços cruzados. O autarca comunista lembra que a câmara tomou medidas concretas para facilitar a fixação de empresas. A construção do parque industrial, que permite que empresas se instalem a baixo custo, as zonas de actividades económicas situadas nas diferentes freguesias ou o centro de acolhimento de micro-empresas foram algumas das iniciativas da câmara. Estas, ainda não completamente concluídas, deram já alguns frutos. A capacidade de acção fundamental está nas mãos do poder central. Que tarda em agir.
Tudo e nada
O contraste é flagrante. No que se refere a obras de iniciativa – ou competência – municipal, Aljustrel apresenta índices elevados. Nas atribuições do poder central, nem tanto.
Compreendendo que para fixar a população é necessário algo mais que trabalho, a maioria comunista na câmara promoveu o desenvolvimento de espaços de cultura e lazer, fundamentalmente para os jovens. Num dos extremos da vila, surge a piscina coberta e o pavilhão desportivo. No lado oposto, a piscina de ar livre, englobada num espaço que contém um bar, uma pequena biblioteca e um anfiteatro. É este espaço que durante os meses de Julho e Agosto acolhe, todas as quartas-feiras à noite, espectáculos de música, teatro, poesia e dança, conta Ângela Santos, animadora cultural.
Com uma cobertura de estruturas básicas de água e saneamento de 100 por cento, Aljustrel está no topo nacional destes indicadores, ao lado de muitos outros municípios alentejanos e muito à frente dos índices apresentados em outras zonas do País.
À intervenção do poder central no concelho, José Godinho tece duras críticas. Lembrando que a população de Aljustrel, essencialmente mineira, é assolada desde cedo por graves doenças, o autarca considera negativa a política de saúde no concelho. Ao invés de construir um novo centro de saúde, como a população e a autarquia há muito exigem, o governo insistiu até há bem pouco tempo em fazer obras no antigo, sem quaisquer condições. «Não fosse a qualidade dos profissionais de saúde que cá trabalham, e são poucos, a situação seria pior», conclui o autarca.
É com esta dura realidade que a autarquia de Aljustrel lida desde há mais de dez anos. José Godinho, presidente da câmara municipal, recorda que o facto de a laboração ter sido suspensa num momento em que tudo indiciava que fosse intensificada, aumentou ainda mais o choque colectivo. Mas tal como a restante comunidade de Aljustrel, também a autarquia não se deixou paralisar pelo abalo e procurou contribuir para minimizar os impactos negativos provocados pela decisão da empresa.
Mantendo como principal exigência a reabertura da mina, a Câmara Municipal procurou acabar com uma situação prejudicial para o concelho: a grande dependência de uma actividade, mesmo sabendo da vocação mineira da população. Esta vocação é tal que ainda hoje, suspensa a laboração nas minas há dez anos, o maior empregador dos trabalhadores do concelho é deste sector. Na Somincor, no município vizinho de Castro Verde, trabalham mais de duzentos aljustrelenses.
Não sendo a atracção de investimento uma competência municipal, a autarquia não ficou – nem podia ficar – de braços cruzados. O autarca comunista lembra que a câmara tomou medidas concretas para facilitar a fixação de empresas. A construção do parque industrial, que permite que empresas se instalem a baixo custo, as zonas de actividades económicas situadas nas diferentes freguesias ou o centro de acolhimento de micro-empresas foram algumas das iniciativas da câmara. Estas, ainda não completamente concluídas, deram já alguns frutos. A capacidade de acção fundamental está nas mãos do poder central. Que tarda em agir.
Tudo e nada
O contraste é flagrante. No que se refere a obras de iniciativa – ou competência – municipal, Aljustrel apresenta índices elevados. Nas atribuições do poder central, nem tanto.
Compreendendo que para fixar a população é necessário algo mais que trabalho, a maioria comunista na câmara promoveu o desenvolvimento de espaços de cultura e lazer, fundamentalmente para os jovens. Num dos extremos da vila, surge a piscina coberta e o pavilhão desportivo. No lado oposto, a piscina de ar livre, englobada num espaço que contém um bar, uma pequena biblioteca e um anfiteatro. É este espaço que durante os meses de Julho e Agosto acolhe, todas as quartas-feiras à noite, espectáculos de música, teatro, poesia e dança, conta Ângela Santos, animadora cultural.
Com uma cobertura de estruturas básicas de água e saneamento de 100 por cento, Aljustrel está no topo nacional destes indicadores, ao lado de muitos outros municípios alentejanos e muito à frente dos índices apresentados em outras zonas do País.
À intervenção do poder central no concelho, José Godinho tece duras críticas. Lembrando que a população de Aljustrel, essencialmente mineira, é assolada desde cedo por graves doenças, o autarca considera negativa a política de saúde no concelho. Ao invés de construir um novo centro de saúde, como a população e a autarquia há muito exigem, o governo insistiu até há bem pouco tempo em fazer obras no antigo, sem quaisquer condições. «Não fosse a qualidade dos profissionais de saúde que cá trabalham, e são poucos, a situação seria pior», conclui o autarca.