O modelo das ONGD espanholas
Foi recentemente difundido através da Internet um ensaio sobre as ONGD espanholas (organizações católicas não governamentais) que, decididamente, também interessa ao caso português. Primeiro, porque participam na trama instituições que nos são familiares e, também, por termos um figurino político cada vez mais decalcado no modelo espanhol. O autor do trabalho, Mariano Sanchez Soler, jornalista e escritor, acaba de publicar na colecção «Temas de Hoy» os resultados de uma investigação acerca das finanças, subvenções e relações privilegiadas entre o colégio dos bispos e o governo espanhol do Partido Popular. Começa por fazer o ponto da situação. «A Igreja católica espanhola recebe do Estado, para sua manutenção, 23 mil milhões de pesetas por ano. Independentemente desta verba, o governo paga os salários dos professores de Religião em todos os graus de ensino e dos sacerdotes das capelanias castrenses e penitenciárias, bem como os encargos mais importantes do exercício do culto. O Estado isentou a Igreja de todos os impostos principais, transformando-a numa espécie de paraíso fiscal. Por outro lado, desbloqueou uma outra importante via de financiamento quando permitiu que muitas congregações, fundações e institutos se transformassem em ONGD. Daqui resultou que estas instituições, a pretexto de cultivarem objectivos humanitários, como a solidariedade e a ajuda ao desenvolvimento, recebam anualmente do Estado espanhol mais15 mil milhões de pesetas». As ONGD declaram-se apolíticas e privilegiam certas áreas de actividade, nomeadamente as que dizem respeito à velhice, à infância, à família, ao desenvolvimento local e à paz social. Dedicam-se à promoção do voluntariado católico e utilizam no alargamento nacional da sua rede, as técnicas do lobbing. São bem conhecidas no país vizinho organizações como as dos Mensageiros da Paz, das Associações Pró-Vida , da Fundação Humanismo e Democracia, da rede de telecomunicações Teléfone Dourado, etc. Todas elas se declaram «laicas e progressistas», embora sejam frequentemente dirigidas por sacerdotes tradicionalistas e por políticos de direita.
Torna-se particularmente interessante para nós, portugueses, considerarmos o binómio Mensageiros da Paz/Fundação Humanismo e Democracia. A associação Mensageiros da Paz, formalmente laica, tem a presidi-la um sacerdote fundamentalista, ostenta como brasão um altar da Virgem Maria e está intimamente ligada às forças políticas espanholas no poder (por exemplo, Maria Eulalia Miró, mulher do presidente da Câmara de Madrid, dirige o poderoso núcleo madrileno dos Mensageiros). A Fundação Humanismo e Democracia articula-se com os Mensageiros por intermédio da Presidente Honorária desta última organização, Ana Botello Serrano, igualmente ligada ao Humanismo e Democracia da qual o mais importante militante, como tal reconhecido até 1996, é José Maria Aznar, primeiro-ministro espanhol. O mais íntimo colaborador de Ana Botello (OD) continua a ser Luis Vega Escandón, conselheiro do governo da Região Autónoma da Navarra, berço da Obra. A sede destas diferentes instituições (Mensageiros da Paz, Associações Pró-Vida, Humanismo e Democracia, Edad Dorada, Teléfono Dorado, Confederação Católica Nacional dos Pais de Família, Confederação Nacional dos Pais dos Alunos) situa-se num mesmo edifício, no N.º 9 da Plaza Vara del Rey, em Madrid. Daí é dirigido o trabalho de mais de 13 mil colaboradores da organização, em Espanha e na América Latina. Em várias destas denominações reconhecem-se os nomes das suas congéneres portuguesas. É natural que de entre esta família portuguesa seja destacado o caso do Instituto Humanismo e Desenvolvimento. O IH&D mantém um eficiente núcleo no grupo parlamentar do PS e não oculta a sua filiação democrata-cristã. Apresenta-se como uma ONG sem fins lucrativos e com inteira independência dos centros do poder. Todos os seus órgãos sociais se encontram, porém, sob o controlo de personalidades públicas ligadas à igreja católica, ao mundo empresarial e financeiro e aos partidos políticos da direita e do centro-direita. Passaram pelo crivo do IH&D todas as mais agressivas leis antidemocráticas do pós-25 de Abril. Das agressões à Segurança Social ao fascizante Código do Trabalho ou ao Sistema de Defesa e Segurança Militar.
Torna-se particularmente interessante para nós, portugueses, considerarmos o binómio Mensageiros da Paz/Fundação Humanismo e Democracia. A associação Mensageiros da Paz, formalmente laica, tem a presidi-la um sacerdote fundamentalista, ostenta como brasão um altar da Virgem Maria e está intimamente ligada às forças políticas espanholas no poder (por exemplo, Maria Eulalia Miró, mulher do presidente da Câmara de Madrid, dirige o poderoso núcleo madrileno dos Mensageiros). A Fundação Humanismo e Democracia articula-se com os Mensageiros por intermédio da Presidente Honorária desta última organização, Ana Botello Serrano, igualmente ligada ao Humanismo e Democracia da qual o mais importante militante, como tal reconhecido até 1996, é José Maria Aznar, primeiro-ministro espanhol. O mais íntimo colaborador de Ana Botello (OD) continua a ser Luis Vega Escandón, conselheiro do governo da Região Autónoma da Navarra, berço da Obra. A sede destas diferentes instituições (Mensageiros da Paz, Associações Pró-Vida, Humanismo e Democracia, Edad Dorada, Teléfono Dorado, Confederação Católica Nacional dos Pais de Família, Confederação Nacional dos Pais dos Alunos) situa-se num mesmo edifício, no N.º 9 da Plaza Vara del Rey, em Madrid. Daí é dirigido o trabalho de mais de 13 mil colaboradores da organização, em Espanha e na América Latina. Em várias destas denominações reconhecem-se os nomes das suas congéneres portuguesas. É natural que de entre esta família portuguesa seja destacado o caso do Instituto Humanismo e Desenvolvimento. O IH&D mantém um eficiente núcleo no grupo parlamentar do PS e não oculta a sua filiação democrata-cristã. Apresenta-se como uma ONG sem fins lucrativos e com inteira independência dos centros do poder. Todos os seus órgãos sociais se encontram, porém, sob o controlo de personalidades públicas ligadas à igreja católica, ao mundo empresarial e financeiro e aos partidos políticos da direita e do centro-direita. Passaram pelo crivo do IH&D todas as mais agressivas leis antidemocráticas do pós-25 de Abril. Das agressões à Segurança Social ao fascizante Código do Trabalho ou ao Sistema de Defesa e Segurança Militar.