Israel não quer a paz

As críticas ao governo israelita pela sua recusa em negociar o «Roteiro da Paz» sobem de tom. «É inútil negociar com um governo radical e com uma mentalidade extremista como esta, ainda mais quando se permite que Israel permaneça acima da lei», afirmou na segunda-feira o secretário-geral da Liga Árabe, Amro Musa, em declarações à imprensa, no Cairo.
Também o ex-primeiro-ministro israelita, Shimon Peres, criticou Sharon, acusando-o de não entender que «é preciso lutar contra o terror e seus motivos, e não somente contra os terroristas». Segundo Peres, não poderá haver avanços «se cada parte começar a acrescentar novos pontos e se cada nova alteração se transformar numa condição prévia para a negociação».
Israel não só rejeita discutir o processo de paz como não olha a meios para provocar a reacção palestiniana e dar «argumentos» a Telavive para recusar sentar-se à mesa das negociações. Foi o que sucedeu mais uma vez a semana passada.
Sem a cobertura mediática dos atentados suicidas do fim-de-semana, Israel invadiu no dia 15 os arredores de Beit Hanoun, no norte de Gaza, matando três palestinianos. Uma das vítimas foi Muhammad Zaanen, de 12 anos, alvejado na cabeça. Durante três horas os soldados israelitas impediram a assistência médica a Muhammad, que viria a morrer a caminho do hospital.
Na véspera, outros cinco palestinianos foram mortos: três polícias e uma criança em Gaza e um civil em Nablus.
O resultado foi o que se sabe - cinco atentados suicidas em três dias.

Escalada de violência

Após o fim-de-semana sangrento, que provocou 12 mortos, para além dos cinco autores, o governo israelita afirmou existir «uma aliança nefasta entre as organizações terroristas e Arafat» e decidiu boicotar todas as entidades estrangeiras que se encontrarem com o presidente da Autoridade Palestiniana.
Entretanto, Ariel Sharon respondeu aos atentados com mais violência generalizada e indiscriminada. A Cisjordânia e a Faixa de Gaza voltaram a ser encerradas e a própria circulação entre localidades teoricamente sob controlo da Autoridade Palestiniana foi proibida, como é o caso de Ramallah, onde se situa o quartel-geral de Yasser Arafat e as sedes do Conselho legislativo palestiniano (CLP, Parlamento) e do governo de Mahmud Abbas.
Milhares de palestinianos estão uma vez mais impedidos de se deslocar para trabalhar, ir à escola ou prover às suas necessidades básicas, incluindo a assistência médica.
Desde o início da Intifada, em Setembro de 2000, até ao passado domingo, o conflito israelo-palestiniano fez 3253 mortos, 2454 dos quais palestinianos.


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