A linha dos casinos
A «grande novidade» transmitida pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa na Assembleia Municipal era que o casino já não ia ficar no Parque Mayer, mas sim na beira rio, junto do Cais do Sodré, em zona bem central de Lisboa. Perante a notícia, os comentários dos responsáveis comunistas não se fizeram esperar: «Afinal era mentira: não era preciso um casino ali para reabilitar o Parque Mayer» (António Abreu, vereador da CML); «Com um casino em cada ponta da Linha de Cascais, bem podem mudar o nome para ‘Linha dos Casinos’» (Carlos Chaparro, Direcção da Cidade); «Somos contra, seja aqui ou noutro lugar, ainda para mais com a actual situação de penúria dos portugueses» (Rita Magrinho, vereadora da CML); «Estamos contra o casino, seja onde for, dentro da cidade de Lisboa» (Martinho Baptista, deputado municipal).
Diligências judiciais do PCP deram resultado
Uma coisa é certa: afinal deram resultado as diligências permanentes e aturadas do PCP contra a deliberação da CML que envolve a reabilitação do Parque Mayer numa fórmula que contraria o PDM e que incluía um casino. Essa decisão camarária fora impugnada junto do Tribunal Administrativo. O posterior despacho de arquivamento exarado sobre o protesto fora também impugnado pelo Partido, estando já o caso na Inspecção-Geral de Administração do Território (IGAT). Esta instância já deu início à inspecção sobre o processo e os conteúdos da deliberação.
Agora, algo se alterou, mas não o essencial: a ameaça continua no ar, pois Lisboa vai ser «devidamente equipada» com o seu casinozito. Ali bem no centro, junto do Cais do Sodré, à beira-rio, bem em cima do «interface» de transportes públicos, onde chegam diariamente dezenas de milhares de trabalhadores.
Tudo começou com uma grande mentira
Agora, ao que se sabe, o casino já não fica no Parque. E assim ficou bem provado aquilo que já se sabia e que os eleitos comunistas têm repetido insistentemente: que afinal não era preciso o casino para atrair pessoas aos futuros equipamentos culturais do Parque, e nem sequer para a sua viabilização financeira da reabilitação. Aliás, estudos feitos deixam bem claro que com a construção de habitações e de comércio, os lucros chegam e sobram para essa reabilitação.
A nova localização congeminada com o Governo para o presidente da Câmara de Lisboa é que foi uma festa. Trouxe a notícia para a Assembleia Municipal com facho olímpico e tudo. Sempre ia haver casino, sim, embora não no Parque Mayer, uma localização que disse nunca ter sido pacífica. O casino afinal ia ficar nas Docas, na zona Cais do Sodré/Bar do Rio/Portugália/Mercado do Peixe, frente ao Mercado da Ribeira.
Uma vitória do dono do Casino do Estoril
É bom não perder de vista que quem beneficia de toda esta tramóia não é a cidade, não são os lisboetas, não são os jovens. Esses vão sofrer a atracção do jogo, a tentação da primeira experiência e depois talvez mesmo o vício. E o seu dinheiro a esturrar-se no vício e a entrar direitinho na conta do dono do Casino do Estoril – de facto, o grande vencedor deste jogo. Mas não será apenas a Estoril-Sol a lucrar. Os entusiasmos que vemos desde a primeira hora não acontecem por acaso nem a troco de nada. A seu tempo se verá. E entretanto, milhares de jovens vão treinando na mesa de bacará e na slot-machine da sua preferência.
Reabilitação urbana provoca dúvidas
Empreitadas gigantescas que se sabe onde começam, mas não onde acabam nem como vão ser fiscalizadas, no valor de mais de 30 milhões de euros (seis milhões de contos) vão ser adjudicadas por grandes áreas em alguns aglomerados urbanos da zona histórica. Não estão garantidos os requisitos mínimos de acompanhamento e de controlo municipal de qualidade na situação de um tal volume de obra. O PCP absteve-se na votação, não inviabilizando mas deixando um sinal de alerta para o uso dos dinheiros públicos.
Taxa de execução mais baixa dos últimos 14 anos
Foi presente à Assembleia Municipal o primeiro Relatório de Actividades da actual maioria, respeitante ao desempenho de 2002. Constata-se em primeiro lugar que para o ano passado se verifica uma taxa de execução muito baixa: a mais baixa desde há 14 anos. Não se descortinam as razões de tão pequeno desempenho em fundamentação objectiva. A única explicação radica mesmo no desnível entre as grandes parangonas e slogans, por um lado, e a realidade fria dos números, por outro lado. Afinal, o que parece (muita dinâmica) não é. E o que não parece (inércia) é. Durante quanto tempo mais conseguirão alguns enganar alguns (tantos)?
Diligências judiciais do PCP deram resultado
Uma coisa é certa: afinal deram resultado as diligências permanentes e aturadas do PCP contra a deliberação da CML que envolve a reabilitação do Parque Mayer numa fórmula que contraria o PDM e que incluía um casino. Essa decisão camarária fora impugnada junto do Tribunal Administrativo. O posterior despacho de arquivamento exarado sobre o protesto fora também impugnado pelo Partido, estando já o caso na Inspecção-Geral de Administração do Território (IGAT). Esta instância já deu início à inspecção sobre o processo e os conteúdos da deliberação.
Agora, algo se alterou, mas não o essencial: a ameaça continua no ar, pois Lisboa vai ser «devidamente equipada» com o seu casinozito. Ali bem no centro, junto do Cais do Sodré, à beira-rio, bem em cima do «interface» de transportes públicos, onde chegam diariamente dezenas de milhares de trabalhadores.
Tudo começou com uma grande mentira
Agora, ao que se sabe, o casino já não fica no Parque. E assim ficou bem provado aquilo que já se sabia e que os eleitos comunistas têm repetido insistentemente: que afinal não era preciso o casino para atrair pessoas aos futuros equipamentos culturais do Parque, e nem sequer para a sua viabilização financeira da reabilitação. Aliás, estudos feitos deixam bem claro que com a construção de habitações e de comércio, os lucros chegam e sobram para essa reabilitação.
A nova localização congeminada com o Governo para o presidente da Câmara de Lisboa é que foi uma festa. Trouxe a notícia para a Assembleia Municipal com facho olímpico e tudo. Sempre ia haver casino, sim, embora não no Parque Mayer, uma localização que disse nunca ter sido pacífica. O casino afinal ia ficar nas Docas, na zona Cais do Sodré/Bar do Rio/Portugália/Mercado do Peixe, frente ao Mercado da Ribeira.
Uma vitória do dono do Casino do Estoril
É bom não perder de vista que quem beneficia de toda esta tramóia não é a cidade, não são os lisboetas, não são os jovens. Esses vão sofrer a atracção do jogo, a tentação da primeira experiência e depois talvez mesmo o vício. E o seu dinheiro a esturrar-se no vício e a entrar direitinho na conta do dono do Casino do Estoril – de facto, o grande vencedor deste jogo. Mas não será apenas a Estoril-Sol a lucrar. Os entusiasmos que vemos desde a primeira hora não acontecem por acaso nem a troco de nada. A seu tempo se verá. E entretanto, milhares de jovens vão treinando na mesa de bacará e na slot-machine da sua preferência.
Reabilitação urbana provoca dúvidas
Empreitadas gigantescas que se sabe onde começam, mas não onde acabam nem como vão ser fiscalizadas, no valor de mais de 30 milhões de euros (seis milhões de contos) vão ser adjudicadas por grandes áreas em alguns aglomerados urbanos da zona histórica. Não estão garantidos os requisitos mínimos de acompanhamento e de controlo municipal de qualidade na situação de um tal volume de obra. O PCP absteve-se na votação, não inviabilizando mas deixando um sinal de alerta para o uso dos dinheiros públicos.
Taxa de execução mais baixa dos últimos 14 anos
Foi presente à Assembleia Municipal o primeiro Relatório de Actividades da actual maioria, respeitante ao desempenho de 2002. Constata-se em primeiro lugar que para o ano passado se verifica uma taxa de execução muito baixa: a mais baixa desde há 14 anos. Não se descortinam as razões de tão pequeno desempenho em fundamentação objectiva. A única explicação radica mesmo no desnível entre as grandes parangonas e slogans, por um lado, e a realidade fria dos números, por outro lado. Afinal, o que parece (muita dinâmica) não é. E o que não parece (inércia) é. Durante quanto tempo mais conseguirão alguns enganar alguns (tantos)?