Competências
Nitidamente, ao entrar no Governo Isaltino Morais havia atingido o seu «princípio de Peter» - o limite da competência para lá do qual apenas se faz asneira.
Já nem falamos do charuto e do insólito de termos, tão inesperadamente, um ministro do Ambiente que mais parecia uma chaminé ambulante. Era à partida ridículo, mas isso não tinha grande importância para Isaltino: o ridículo, na sua carreira política, sempre fora um trunfo.
O desconforto era mais fundo e penosamente evidente. O homem não tinha perfil para a ministerial função, como costuma dizer-se, e não havia volta a dar. Quando aparecia em público e se via forçado a pronunciar-se sobre matérias ambientais era notório o seu desconforto, a sua ignorância e, sobretudo, a sua falta de perspectiva.
Tudo se complicou, quando os problemas começaram a rolar no plano concreto da realidade.
O primeiro desastre deu-se com os resíduos industriais perigosos, logo em início de mandato. Obcecado com a demagogia primária do seu Governo, apressou-se a travar o processo da co-incineração sem apresentar qualquer alternativa ou, sequer, esboçar a mínima proposta de solução. Resultado: os resíduos industriais perigosos ficaram definitivamente à solta no País e Isaltino Morais passou à História como o ministro que oficializou a paralização do Estado face a este gravíssimo problema dos resíduos industriais perigosos.
O segundo fracasso ocorreu com o derrame do «Prestige» ao largo da Galiza. Paulo Portas – outro especialista na demagogia barata – cavalgou a oportunidade com todas as unhas e Isaltino ficou literalmente a ver navios. O ministro não se viu em nenhum momento da catástrofe eminente – Portas enchia os noticiários com os seus relatórios «por avistamento» -, ficando para a História a ausência do titular da pasta do Ambiente perante a ameaça ambiental de maior envergadura que ocorreu no nosso País.
Apesar de tanta incompetência, não foi ela que ditou o seu afastamento do Governo.
Foi a fuga ao fisco que um jornal denunciou.
Apanhado em flagrante com três contas secretas na Suiça (dado que as não declarara ao fisco português), Isaltino Morais viu-se constrangido a demitir-se e não encontrou melhor desculpa que afirmar serem de um sobrinho.
É claro que ficou por esclarecer por que diabo as contas do sobrinho estavam em seu nome desde pelo menos 1998, ainda por cima movimentando valores que, segundo o jornal, atingem as centenas de milhares de contos. Só no ano 2000, Isaltino Morais terá recebido mais de seis mil contos em juros de aplicações.
Mas há mais.
Segundo o jornal – que se evidencia muito bem informado -, Isaltino Morais também não declarou ao fisco um avultado património (diversas casas, que se espalham por Mirandela – terra de origem de Isaltino -, Ansião, Carnaxide, Paço de Arcos, Alter do Chão, Miraflores e Lisboa), ao mesmo tempo que ostenta uma variado leque de contas bancárias, depósitos a prazo, obrigações e aplicações.
Tudo isto com um simples ordenado de presidente de câmara, que na declaração de IRS de 2002 se situava nos 60 700 euros brutos (cerca de 12 mil contos).
Convenhamos que, não sendo uma bagatela, está longe de justificar tão vasto e diversificado património móvel e imóvel.
Entretanto, como Isaltino alega agora que a maior parte dos imóveis de que é proprietário vem do tempo anterior ao seu cargo autárquico (ou seja, antes de 1985, era ele um jovem de 30 e tal anos), seria conveniente averiguar as datas e a origem das aquisições. É que os referidos imóveis não apenas são muitos, como se espalham por quase todo o território continental, estando também por esclarecer como é que um, então, jovem de Mirandela se tornou tão diversificado e robusto proprietário…
Seja como for, o «princípio de Peter» atingido por Isaltino quando entrou no Governo não se concretizou durante os longos anos em que presidiu à câmara de Oeiras. Aí, ele foi sem dúvida competente, como agora se comprova pelo aparato patrimonial em que se verifica titular.
Competente a tratar da vidinha, evidentemente.
Já nem falamos do charuto e do insólito de termos, tão inesperadamente, um ministro do Ambiente que mais parecia uma chaminé ambulante. Era à partida ridículo, mas isso não tinha grande importância para Isaltino: o ridículo, na sua carreira política, sempre fora um trunfo.
O desconforto era mais fundo e penosamente evidente. O homem não tinha perfil para a ministerial função, como costuma dizer-se, e não havia volta a dar. Quando aparecia em público e se via forçado a pronunciar-se sobre matérias ambientais era notório o seu desconforto, a sua ignorância e, sobretudo, a sua falta de perspectiva.
Tudo se complicou, quando os problemas começaram a rolar no plano concreto da realidade.
O primeiro desastre deu-se com os resíduos industriais perigosos, logo em início de mandato. Obcecado com a demagogia primária do seu Governo, apressou-se a travar o processo da co-incineração sem apresentar qualquer alternativa ou, sequer, esboçar a mínima proposta de solução. Resultado: os resíduos industriais perigosos ficaram definitivamente à solta no País e Isaltino Morais passou à História como o ministro que oficializou a paralização do Estado face a este gravíssimo problema dos resíduos industriais perigosos.
O segundo fracasso ocorreu com o derrame do «Prestige» ao largo da Galiza. Paulo Portas – outro especialista na demagogia barata – cavalgou a oportunidade com todas as unhas e Isaltino ficou literalmente a ver navios. O ministro não se viu em nenhum momento da catástrofe eminente – Portas enchia os noticiários com os seus relatórios «por avistamento» -, ficando para a História a ausência do titular da pasta do Ambiente perante a ameaça ambiental de maior envergadura que ocorreu no nosso País.
Apesar de tanta incompetência, não foi ela que ditou o seu afastamento do Governo.
Foi a fuga ao fisco que um jornal denunciou.
Apanhado em flagrante com três contas secretas na Suiça (dado que as não declarara ao fisco português), Isaltino Morais viu-se constrangido a demitir-se e não encontrou melhor desculpa que afirmar serem de um sobrinho.
É claro que ficou por esclarecer por que diabo as contas do sobrinho estavam em seu nome desde pelo menos 1998, ainda por cima movimentando valores que, segundo o jornal, atingem as centenas de milhares de contos. Só no ano 2000, Isaltino Morais terá recebido mais de seis mil contos em juros de aplicações.
Mas há mais.
Segundo o jornal – que se evidencia muito bem informado -, Isaltino Morais também não declarou ao fisco um avultado património (diversas casas, que se espalham por Mirandela – terra de origem de Isaltino -, Ansião, Carnaxide, Paço de Arcos, Alter do Chão, Miraflores e Lisboa), ao mesmo tempo que ostenta uma variado leque de contas bancárias, depósitos a prazo, obrigações e aplicações.
Tudo isto com um simples ordenado de presidente de câmara, que na declaração de IRS de 2002 se situava nos 60 700 euros brutos (cerca de 12 mil contos).
Convenhamos que, não sendo uma bagatela, está longe de justificar tão vasto e diversificado património móvel e imóvel.
Entretanto, como Isaltino alega agora que a maior parte dos imóveis de que é proprietário vem do tempo anterior ao seu cargo autárquico (ou seja, antes de 1985, era ele um jovem de 30 e tal anos), seria conveniente averiguar as datas e a origem das aquisições. É que os referidos imóveis não apenas são muitos, como se espalham por quase todo o território continental, estando também por esclarecer como é que um, então, jovem de Mirandela se tornou tão diversificado e robusto proprietário…
Seja como for, o «princípio de Peter» atingido por Isaltino quando entrou no Governo não se concretizou durante os longos anos em que presidiu à câmara de Oeiras. Aí, ele foi sem dúvida competente, como agora se comprova pelo aparato patrimonial em que se verifica titular.
Competente a tratar da vidinha, evidentemente.