Dupla afixação de preços

Informar em defesa do consumidor

Os deputados votam hoje o projecto de resolução do PCP que recomenda ao Governo a reintrodução durante o ano em curso da dupla afixação de preços de bens e serviços.

Com esta iniciativa, em debate no final da passada semana, a bancada comunista vai ao encontro de todos quantos defendem ser essa dupla referência (em euros e escudos) uma forma de ajuda à população quer para o cálculo mental quer como elemento informativo susceptível de contribuir para uma mais correcta percepção do valor em jogo.

Mas não se esgotam neste plano as vantagens de uma tal medida. Conforme explicou o deputado Lino de Carvalho, trata-se ainda de conferir aos consumidores «um instrumento que os ajude a pensar em euros», garantindo, simultaneamente, a possibilidade de um «maior controlo sobre os preços» e dessa forma evitar que a conversão se traduza na sua subida vertiginosa.

E sem resposta no debate não ficaram os que dirimem argumentos em sentido contrário, invocando, por exemplo, que a dupla afixação pode atrasar a conversão mental automática do raciocínio em euros. Pesando as vantagens e desvantagens, Lino de Carvalho não hesitou em concluir que o «balanço é manifestamente favorável» às vantagens que «implica a existência durante mais algum tempo da dupla afixação». E aos afirmam estar-se perante um «retrocesso», o deputado do PCP deixou implícito um conselho: desçam ao País real, designadamente ao seu interior rural.

Verberado pela bancada comunista foi ainda o facto de nem o Banco de Portugal nem a Comissão Europeia terem efectuado qualquer análise estatística rigorosa sobre as consequências no aumento do custo de vida resultantes da introdução do euro. «Por que é que a Comissão Europeia e o Eurostat que têm análises estatísticas para tudo não o fizeram para este caso?», perguntou o parlamentar comunista, antes de afirmar que «dá para desconfiar».



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