MST: O futuro mora em Almada
Arrancou o processo do Metro Sul do Tejo e por este motivo, decorreu no passado dia 24 no auditório do Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada, o 2.º Fórum de Participação, aberto à população, no sentido de dar a conhecer o andamento de todo o processo.
O traçado está decidido e todo o consórcio veio dar a cara pelo projecto que finalmente vai arrancar «graças à persistência da Câmara Municipal de Almada», como foi referido no encontro.
A grande «persistência» da Câmara de Almada
A Presidente da edilidade comunista de Almada, Maria Emilia de Sousa, começou por referir a persistência da autarquia e respectivas freguesias junto do poder central, ao longo de 16 anos de diálogo, na defesa deste projecto, também «devido à própria complexidade da obra e o avultado investimento que ela envolve»: são cerca de 270 milhões de euros sem falar em investimentos de requalificação urbana e vários outros investimentos, como referiu ao Avante! o Vereador do pelouro do Ambiente, José Gonçalves, coordenador do projecto do MST ao nível da administração municipal. Dezembro passado foi aprovado o estudo de impacte ambiental. É a grande oportunidade de modernizar e requalificar o Concelho, enriquecendo-o com um meio de transporte já adoptado por cidades de todo o mundo, como foi demonstrado, com resultados bem positivos, tanto para as populações como para o pequeno comércio. M.ª Emilia Sousa garantiu que «a Câmara vai estar atenta às partes envolvidas para que o Estado e o concessionário cumpram as garantias dadas para o êxito do projecto».
Porquê «de superfície»?
Almada quer aproveitar a adaptação do Metro de superfície para modernizar a cidade; «Criar uma cidade nova com a valorização do espaço urbano, com uma maior coesão e um melhor funcionamento da faixa ribeirinha, com melhores acessibilidades, a criação de ciclovias, o alargamento de passeios e mais zonas verdes», tudo isto em torno da implantação de um meio de transporte «eficiente, moderno, cómodo e não poluente. O metro de superfície é um meio amigo do ambiente», disse José Gonçalves. Esta opção em vez do metro no subsolo, como foi defendida pelos partidos de oposição à CDU em Cacilhas e Almada durante a campanha das eleições autárquicas, ficou totalmente clarificada pelos pareceres técnicos apresentados; foi referido que só se justificaria o metro de superfície em Almada, caso a população em hora de ponta fosse de 15 mil utentes por hora, situação que não acontece «nem de perto» no Concelho.
Ecológico e moderno
Para o Município, o MST vai ser uma melhoria qualitativa; circula em carris próprios não partilhados e será um factor de promoção da actividade económica e de revitalização do pequeno comércio. É um veiculo não poluente, de pouco ruído, reduzindo o stress diário dos utentes e as doenças causadas pela libertação de gases produtores do efeito de estufa. No fórum ficou claro que este tipo de transporte tem sido adoptado como alternativa viável ao esgotamento da capacidade de circulação automóvel, problema sentido por toda a população. Neste sentido, «foram criados todos os instrumentos que dão a garantia de que a população será sempre a prioridade». A opção é também o transporte público de mais fácil entrada para idosos ou deficientes físicos. É a grande oportunidade para a revitalização do pequeno comércio; Maria Emilia alertou os comerciantes para o facto de estar em curso o Programa URBCOM, do Ministério da Economia, ao qual todos os pequenos e médios comerciantes se devem candidatar, já que para o apoio ser efectivo, é condição indispensável que 50% dos comerciantes do Concelho se inscrevam, o que ainda não aconteceu. O MST é uma requalificação única no território nacional.
«Evitar ao máximo os habituais transtornos»
José Gonçalves contou ao Avante! como, desde o inicio, têm sido prioridade da autarquia garantir que as obras decorram causando o mínimo possível de transtornos. Desde Junho de 2002 com reuniões semanais, o gabinete MST é constituído pelo concessionário, Câmara e operadores de solo, estando representadas todas as áreas de intervenção. Foi criada uma instituição de apoio ao projecto, responsável pelo Plano de Mobilidade que abrange a área de todos os transportes do Concelho, de forma a sincronizar os horários de forma que a rede de transportes passe a actuar «em conjunto». Para minorar o impacto da obra, a construção do traçado foi projectada por fases. Outro instrumento fundamental criado e porque «a informação é um direito», foi o Plano de Comunicação com o objectivo de manter a população informada sobre todas as alterações provocadas pelos trabalhos.«Não temos dúvidas que o MST é a fórmula para que Almada se torne um modelo sustentável virado para as pessoas que nela vivem, trabalham e visitam», disse-nos José Gonçalves. Grupos já formados irão informar a população de forma adequada, estando para isso contempladas medidas no referido plano. O vereador garantiu que, apesar de alguns impactos negativos que se venham a sentir no decurso da obra, «serão temporários e localizados, enquanto os impactos positivos, esses serão duradouros».
Circulação viária
A Câmara considera que modernizar a cidade e requalificar o espaço público, alargar os pavimentos para peões e criar pavimentos para bicicletas paralelos às linhas do MST, é tão fundamental como reordenar a circulação automóvel. O aumento do tráfego automóvel está a estrangular Almada, de Cacilhas ao Pragal e até Corroios, acentuando a poluição atmosférica e o stress diário. Como referiu José Gonçalves,«optámos pelo MST. Retirámos ensinamentos de todas as realidades que existem no mundo». É também no sentido de reduzir o tráfego das zonas «nevrálgicas» que está projectada a construção de parques dissuasores, cuja localização está já determinada em três terrenos cedidos pela Câmara: junto à Av. 25 de Abril, à Bento Gonçalves, próximo do Centro-Sul, junto à António Gedeão e no Laranjeiro. Pretende-se que o utente passe a transferir-se do automóvel para o metro, havendo total prioridade para o transporte colectivo; esta é a questão central do Plano de Mobilidade.
Saber ouvir a população
Considerando esta obra um dos eixos fundamentais para o desenvolvimento sustentado do Concelho e a fulcral importância de constantemente ouvir as opiniões, propostas e sugestões da população, ficou marcado para o dia 20 de Março, o próximo fórum de participação, subordinado ao tema, Requalificação do Espaço Público. Até 18 de Dezembro serão realizados mais quatro fóruns. O boletim municipal vai também passar a ter sempre um espaço de informação sobre o MST.
O Consórcio
Após um cuidadoso trabalho de escolha de todos os parceiros necessários para uma obra desta envergadura por parte da autarquia, todas as partes do consórcios vieram «dar a cara pelo projecto». A concessão do contrato de exploração por um prazo de 27 anos após os três de construção da obra, foi ganha pela Joaquim Gerónimo, empresa-mãe do grupo Barraqueiro, a mesma que explora o comboio na ponte 25 de Abril. A opção pela Barraqueiro deveu-se essencialmente á sua proposta de tarifário que era 20% mais barata do que os preços dos restantes concorrentes. A estrutura mecânica vai ficar a cargo das Siemens portuguesa e alemã que vai fornecer os veículos importados. A MECI terá a seu cargo as fibras ópticas e as redes eléctricas e de iluminação pública. A Engil e Mota numa primeira fase, e a Teixeira Duarte numa segunda, têm a seu cargo toda a construção civil.
Três linhas, vinte estações
Ao todo, o percurso desta primeira fase será de 13,5 quilómetros, num total de 20 estações; 17 no Concelho de Almada e 3 no Seixal. O critério do traçado teve sempre como prioridade, abarcar as áreas de maior densidade populacional. As estações dividem-se por três linhas: uma vai ligar Cacilhas a Corroios, outra, o Pragal a Corroios e uma terceira irá da Universidade a Cacilhas. As obras terão início em Corroios e os troços serão construídos por fases, de forma a minimizar os transtornos. A designação das estações teve em conta a história local, estando previstas entre as diferentes designações, a estação Bento Gonçalves, primeiro Secretário Geral do PCP, e a estação 25 de Abril. Todo o traçado e respectiva articulação com outros meios de transporte está assegurada e foi projectado no sentido de servir as áreas com maior densidade populacional. No Pragal será construído um Interface de ligação ao comboio da Ponte 25 de Abril e aos autocarros. Depois de 2005, ligar-se-á Corroios ao Seixal e, depois efectuar-se-á a ligação Seixal-Montijo, encontrando-se em fase de estudo a possibilidade de uma fase seguinte que poderá ligar o Montijo a Alcochete.