França pede sanções «exemplares»
O fuel do petroleiro Prestige já chegou à costa francesa. As populações estão a sentir as consequências. Em Arcachon foi proibida a apanha de marisco.
Em Landes, quase todas as reservas nos hotéis foram canceladas
Na bacia de Arcachon, famosa pelas suas ostras, está proibida a apanha e venda de marisco. Aqui, os criadores produzem 12 mil toneladas de ostras por ano, num total de 350 empresas. Para estes profissionais, a maré negra é uma catástrofe, tal como está a ser para os seus vizinhos espanhóis.
O presidente da Câmara de Aquitânia, Christian Frémont, declarou que esta medida tem carácter preventivo e será levantada logo que «estiver novamente garantida a excelência do produto».
Na zona das Landes, praticamente todas as reservas nos hotéis foram canceladas. Mas também o mundo animal e vegetal é fortemente afectado. Para além dos peixes e das aves marinhas, está em perigo a reserva ornitológica de Teich, a 15 quilómetros de Archachon. Situada numa das principais vias migratórias da Europa, a reserva alberga mais de 300 espécies de pássaros.
Apoios oficiais
O Governo de Paris anunciou apoios de cerca de 50 milhões de euros, dos quais 10 milhões estavam disponíveis na segunda-feira. No mesmo dia chegaram 200 militares e 100 membros da segurança interna aos locais afectados para ajudar nas operações de limpeza.
Ao longo da semana foi detectado cada vez mais fuel na costa francesa. As primeiras foram avistadas no sábado e desde então os técnicos tentam recuperar as manchas. Landes, Gironde, Montalivet e Soulac são as zonas mais afectadas.
Entretanto, as autoridades francesas exigem sanções penais «exemplares» pelo desastre provocado pelo petroleiro, visando os responsáveis pela «catástrofe ecológica», como referiu o presidente da república, Jacques Chirac. Actualmente, a pena é de um máximo de dois anos de prisão e o pagamento de multas não excede os 300 mil euros.
O Prestige naufragou na costa da Galiza a 19 de Novembro do ano passado.