Nicolas Maduro toma posse entre ameaças e ingerências

SOBERANIA O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolas Maduro, toma hoje posse para um novo mandato, que, garante, marcará uma nova etapa na «construção do socialismo» no país.

O sucessor de Hugo Chávez foi eleito em Maio do ano passado com 67,84 por cento dos votos, muito à frente dos restantes três candidatos. Ao contrário do que sucedeu em eleições anteriores, a Mesa de Unidade Democrática não conseguiu apresentar candidato e, às ordens dos EUA, acabaria por apelar ao boicote e à desistência dos candidatos opositores. Falhou em ambos os intentos.

Discursando há poucos dias numa cerimónia que marcou a entrega simbólica da casa número 2,5 milhões do programa de habitação social do governo bolivariano – num país que herdou enormes problemas a este nível –, o presidente eleito afirmou: «Estou a terminar este período constitucional que o comandante Chávez me deixou e a 10 de Janeiro começarei seis anos de construção do socialismo.» A União Cívico-Militar continuará a ser o factor decisivo para concretizar esta nova etapa, sublinhou.

Tal como sucedeu antes, durante e após as eleições de Maio, em torno da tomada de posse do presidente Maduro agudizam-se as operações de ingerência e ameaça vindas do exterior. Portugal, que esteve presente na tomada de posse de Jair Bolsonaro, já fez saber que não estará hoje em Caracas. Particularmente activo tem estado, nos últimos tempos, o chamado Grupo de Lima, constituído em 2017 por chefes de Estado e de governo de vários países americanos, de direita, contra o processo bolivariano.

Não deixa de ser curioso que entre os fundadores deste grupo, que clama pela «liberdade» e «democracia» na Venezuela, estejam os presidentes do Brasil e das Honduras, cujos mandatos resultaram directa ou indirectamente de golpes de Estado onde a «mão» dos EUA foi evidente. O Grupo de Lima sofreu recentemente um forte revés, com a recusa do novo presidente mexicano, López Obrador, em juntar-se à campanha contra a República Bolivariana da Venezuela.

A ingerência na Venezuela está a ser denunciada por diversos sectores, no próprio país e um pouco por todo o mundo. No dia 7, as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) vieram a público repudiar o «carácter marcadamente ingerencista» do Grupo de Lima e a atitude «entreguista» de sectores da oposição que se constituíram como porta-vozes de interesses externos. As FANB reafirmaram o seu «irrestrito apoio e lealdade absoluta» a Nicolas Maduro, presidente constitucional do país.

Mensagem de Jerónimo de Sousa
a Nicolas Maduro

O Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, enviou uma mensagem ao presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolas Maduro, que publicamos na íntegra.

«Em nome do Partido Comunista Português, envio-lhe as calorosas saudações por ocasião da sua tomada de posse como Presidente da República Bolivariana da Venezuela para o mandato de 2019-2025, em conformidade com a vontade do povo venezuelano expressa nos resultados da eleição presidencial de 20 de Maio último e a ordem constitucional venezuelana.

Face à agressividade das campanhas de desinformação, guerra de desestabilização e perigosas ameaças de escalada intervencionista do imperialismo e seus servidores, é de crucial importância expressar a solidariedade para com a defesa da soberania e independência nacional da República Bolivariana da Venezuela e o direito inalienável do povo venezuelano a determinar o seu caminho de desenvolvimento livre de ingerências e ameaças externas.

Convicto de expressar os sentimentos de amizade do povo português para com o povo venezuelano, reafirmo a firme solidariedade dos comunistas portugueses para com a resistência e luta do povo venezuelano para vencer as dificuldades e desafios actuais e prosseguir o caminho libertador aberto pela Revolução bolivariana.»




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