Anunciada moratória de seis meses na alta dos combustíveis
Governo francês recua na subida dos preços

RECUO O governo francês recuou face às manifestações populares nas últimas semanas, de protesto contra a subida dos combustíveis, e anunciou uma moratória de seis meses na alta dos preços.

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, anunciou na terça-feira, 4, a suspensão da subida dos preços dos combustíveis, que provocaram fortes protestos populares nas últimas semanas em todo o país, em especial em Paris. Foi estabelecida uma moratória de seis meses para a alta dos preços da gasolina e do gasóleo.

Outras medidas que o governo francês anunciou para apaziguar as reivindicações foram abandonar temporariamente o alargamento das exigências para a inspecção técnica dos automóveis e não aumentar a tarifa eléctrica em maio de 2019, como estava previsto.

«Nenhum imposto merece pôr em perigo a unidade da nação», declarou Édouard Philippe, acrescentando que «esta ira teve origem numa profunda injustiça, a de não se poder viver dignamente dos frutos do trabalho, quando os dias de trabalho começam cedo e acabam tarde».

Segundo o primeiro-ministro, as medidas anunciadas foram adoptadas depois de consulta «aos interlocutores sociais, aos eleitos locais, às associações, aos parlamentares, aos dirigentes de todos os partidos», assim como «aos franceses e seus representantes».

Mas o chefe do governo mostrou-se contundente em relação ao próximo sábado, dia 8, para o qual foi convocada uma nova jornada de protesto pelos chamados coletes amarelos. «O ministro do Interior utilizará todos os meios para manter a ordem», avisou.

A mobilização dos manifestantes em França começou a 17 de Novembro, quando 300 mil pessoas saíram às ruas em todo o país para protestar contra a subida dos combustíveis. No dia 24 houve novos protestos, que deixaram 30 feridos e 130 manifestantes detidos pela polícia, sobretudo nos Campos Elísios, em Paris. No passado dia 1, no terceiro fim-de-semana consecutivo de protestos, o centro da capital transformou-se num caos, com carros incendiados, lojas e bancos atacados e pilhados, mobiliário urbano destruído, actos de vandalismo no Arco do Triunfo. Mais de uma centena de manifestantes ficaram feridos e 400 pessoas foram presas durante os protestos e os distúrbios, provocados, segundo as autoridades, por grupos infiltrados da extrema-direita e da extrema-esquerda. Na segunda-feira, houve novas manifestações em Paris, de motoristas de ambulância e de alunos de mais de uma centena de escolas secundárias.




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