Pobreza em Itália ao nível de 1997
Em termos relativos ou absolutos, o número de pobres em Itália é o mais elevado dos últimos 16 anos, afirmam estatísticas oficiais. O desemprego e a precariedade também batem recordes.
O desemprego está ao nível dos anos 70
Segundo os dados divulgados dia 30 de Dezembro pelo Instituto Nacional de Estatística de Itália (ISAT) referentes a 2012, citados pela Europa Press, 12,7 por cento dos transalpinos encontram-se em situação de pobreza relativa e outros 6,8 por cento são considerados pobres em termos absolutos. O primeiro indicador refere-se a famílias com pelo menos dois membros e um rendimento bruto igual ou inferior a 991 euros/mês. O segundo, é relativo a agregados incapazes de satisfazerem as necessidades básicas.
Numa análise comparada, as estatísticas mostram que a pobreza relativa em Itália cresceu 1,6 por cento entre 2011 e 2012, ao passo que a pobreza absoluta duplicou e triplicou face a 2005. No Norte da península, mais industrializado e com um maior rendimento médio, a pobreza relativa aumentou de 4,9 por cento para 6,2 por cento. A Sul do meridiano, historicamente mais deprimido, este índice cresceu de 23,3 por cento para 26,2 por cento.
De acordo com a agência Kronos, os números evidenciam que estas são as piores cifras da actual série histórica, iniciada em 1997. «A Itália registou um declive progressivo dos principais indicadores macroeconómicos e sociais», admitiu o ministro do Trabalho italiano e responsável pelo gabinete de estatísticas oficiais, Enrico Giovannini, que, no entanto, insistiu no mesmo receituário político aplicado nos últimos anos, defendendo que, «a coesão social manteve-se permitindo implementar sacrifícios com o objectivo de recuperar a estabilidade financeira e aprovar importantes reformas», noticiou, por sua vez, a Prensa Latina.
Desemprego histórico
O relatório acrescenta, ainda, informações preocupantes sobre o desemprego. Este ano, detalha, encontram-se em desocupação forçada 12,5 por cento dos italianos em idade activa e 41,2 por cento dos jovens na mesma condição, colocando o flagelo ao nível do observado na década de 70 no país.
Em 2012, afirma também o ISAT, o desemprego já tinha crescido 2,3 por cento atingindo 10,7 por cento da população activa. Entre os jovens, o flagelo afectava 35 por cento dos disponíveis, mais seis por cento do que em 2011.
Quanto aos vínculos laborais, o ISAT constatou uma queda no total de trabalhadores com contrato permanente e a tempo completo, actualmente nos 10,3 milhões. Uma diminuição de 1,3 por cento no geral e de 9,4 por cento entre os jovens.
Neste aspecto, o governo liderado por Enrico Letta não pretende mudar de orientação relativamente aos seus antecessores, uma vez que já tornou pública a intenção de proceder a maiores alterações na legislação laboral para «diminuir a brecha entre trabalhadores permanentes com benefícios e previlégios, e o crescente número de empregados a tempo parcial com pouca ou nenhuma protecção».