Pobreza alastra em Espanha
Cerca de dez milhões de pessoas (22,5% da população) vivem em Espanha com menos de 500 euros mensais e outros dois milhões sobrevivem com rendimentos inferiores a 300 euros por mês.
Os dados foram revelados, dia 14, pela Rede Europeia de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social em Espanha (EAPN-ES), cujo presidente, Carlos Susías, alertou para a grave situação que já hoje atinge milhões de espanhóis e para o sério risco de o país entrar no próximo ano numa espiral de pobreza da qual «dificilmente poderemos sair».
Segundo as previsões do Instituto de Estudos Económicos (IEE), a economia espanhola irá entrar em recessão em 2012, recuando 0,1 por cento do PIB, devendo o desemprego a aumentar no próximo ano até aos 22,7 por cento. O desemprego juvenil deverá continuar em níveis «particularmente preocupantes», elevando-se a 45,8 por cento.
O IEE assinala, por outro lado, que as metas de redução do défice público não serão cumpridas nem em 2011 nem em 2012. Este ano o défice das contas públicas terminará nos 6,8 por cento (acima dos 6 por cento previsto pelo Governo) e nos 4,5 por cento em 2012, também acima do valor previsto.
Num momento em que duras medidas de austeridade se abatem sobre as camadas mais desfavorecidas, um grupo de técnicos do Ministério das Finanças revelou, dia 14, em comunicado, que 71 por cento da evasão fiscal anual resulta das fraudes cometidas por grandes fortunas, corporações empresariais e grandes empresas de Espanha.
No entanto, acrescenta o texto, 80 por cento dos recursos humanos são utilizados na investigação e fiscalização de pequenas fraudes e irregularidades de trabalhadores independentes, pequenas empresas e trabalhadores por conta de outrem.
Deste modo, o grupo de técnicos considera «apenas parcialmente positivo» o esforço que permitiu recuperar 10 400 milhões de euros em 2011, montante anunciado pela ministra da Tutela, Elena Salgado, notando que tal encaixe significa que se deixou impune 88,4 por cento da evasão e fraude fiscal anual.