Igreja calou
Uma comissão de investigação concluiu que, entre 1945 e 1981, cerca de 20 mil menores foram vítimas de abusos sexuais por parte de religiosos católicos em instituições na Holanda.
Relatório identificou milhares de vítimas e centenas de agressores
O relatório, apresentado dia 16 em Haia, salienta que os abusos de menores tiveram lugar em instituições como orfanatos e internatos da Igreja católica, que tinha conhecimento das práticas, mas nada fez para lhes pôr cobro.
Composta por seis pessoas, em que se inclui o antigo ministro da Educação e juiz Wim Deetman, professores universitários e uma psicóloga, a comissão iniciou o inquérito a 24 de Agosto de 2010, após terem vindo a público na imprensa várias denúncias de abusos de menores, que obrigaram as entidades eclesiásticas a aceitar a investigação independente.
Os resultados, porém, ultrapassam todos os limites. A comissão apurou 1795 casos de abusos, mas afirma que não se pode estabelecer um número exacto dos abusos cometidos, arriscando apenas uma estimativa – 20 mil. Quanto aos autores foi possível identificar 800 indivíduos, dos quais 105 estão vivos.
Face ao escândalo, os bispos holandeses vieram a público expressar «pesar pelos abusos», apresentar «sinceras desculpas», dizendo «estar cobertos de vergonha». No entanto, apesar de reconhecerem a culpa, não responderam a uma das principais acusações da comissão de investigação.
Com base nos arquivos das instituições católicas, a comissão descobriu que o problema não só era conhecido como até constava da agenda das reuniões episcopais desde os anos 40. «A problemática dos abusos sexuais era conhecida nas ordens e bispos da Igreja Católica holandesa (...) mas não foram tomadas acções adequadas». Porque é que nada foi feito? É uma pergunta à qual a Igreja prefere não responder. Questionado em Roma, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, escusou-se a fazer comentários sobre o assunto.
Aceitando indemnizar as vítimas até 100 mil euros, em função da gravidade dos abusos, os bispos holandeses anunciaram que vão adoptar códigos de conduta e programas de prevenção de futuros casos semelhantes.