• Jorge Messias

Pirâmide de um só olho que tudo vê!

«O Papa, quando explicitamente define uma doutrina, possui a infalibilidade com que o divino Redentor quis dotar a sua Igreja ao definir qualquer matéria respeitante à fé e aos costumes» (Vaticano I, Constituição “Pastor Aeternus”).

«Nós aparecemos ao operário como libertadores do seu jugo, quando lhe propusermos entrar nas fileiras do exército de socialistas, anarquistas e comunistas, que sempre sustentámos sob o pretexto da solidariedade» (Os Protocolos dos Sábios de Sião, Capítulo XV).

«A lei que equilibra o processo de acumulação capitalista amarra o trabalhador ao capital. É esta lei que estabelece uma correlação fatal entre a acumulação do capital e o exército industrial de reserva, de tal modo que num só pólo a acumulação da riqueza é igual à acumulação da pobreza, do sofrimento, da ignorância, do embrutecimento, da degradação moral e da escravidão. São factores que estão na base da classe que suporta o próprio capital» (O Capital, Tomo I).

 
A Europa capitalista saltita à beira do abismo. O espectáculo anárquico a que se assiste actualmente é disso prova. Os políticos da chamada globalização são incapazes de encontrar saídas para os problemas catastróficos que eles próprios causaram. Teme-se a súbita ruptura do sistema financeiro e, nos quadros presentes, a economia não recupera. Falta, segundo os capitalistas, uma chefia esclarecida e com reforçados poderes de decisão. O Vaticano decidiu, portanto, avançar para a aplicação imediata de um plano já de há muito preparado, desde a era de João Paulo II, de Bush e de António Guterres. Em 1983, afirmou Dan Quayle, vice-presidente dos EUA: «Sob a corajosa liderança de João Paulo II, o Estado do Vaticano tem assumido o lugar que lhe compete no mundo como uma voz internacional. É altura dos EUA mostrarem o seu respeito pelo Vaticano, reconhecendo-o diplomaticamente como uma grande potência mundial». Palavras que revelaram a esperança que os mercados depositam na Igreja. O «olho» que tudo vê figura, aliás, no triângulo maçónico que é emblema do Tesouro americano. E surge igualmente nos símbolos dos poderosos illuminati da igreja.

Desde então tem-se reforçado extraordinariamente a aliança Vaticano/EUA. Ainda que à custa de uma certa ambiguidade em relação ao capitalismo apadrinhado na Europa. Uma simples imagem desta identidade da Santa Sé com as políticas neoliberais norte-americanas resulta de um facto simples embora recente mas «esquecido» pela comunicação social: em plena crise financeira, quando as estruturas bancárias norte-americanas abanavam, Bento XVI não hesitou em expor-se publicamente ao ordenar a urgente transferência para instituições americanas de biliões de dólares, o que permitiu à banca estadunidense retomar um certo reequilíbrio provisório. Para lá da solidariedade que o caso revela, esta operação também chamou a atenção para a solidez e capacidade financeira do Vaticano.

 

O plano eclesiástico de reforma financeira mundial

 

Mas que dizem os Protocolos que não se esteja a concretizar, agora?

Por exemplo, as estratégias da Nova Ordem Mundial, tal como foram inicialmente proclamadas, passam pelo fim do conceito de nação e de família; pela fusão das religiões numa só e pela instalação de um único governo mundial planetário e global, isento de qualquer controlo democrático e dotado com um só exército e uma só política. Os seus órgãos executivos deverão ocupar três esferas de poder: a económica e financeira; a militar e policial; e a esfera do poder científico.

A área política, uma vez extinto o Estado, será desempenhada pelos clubes de reflexão, que concentrarão em si as forças actualmente representadas nas reuniões de líderes (tais como o G5, o G8, o Clube de Bilderberg, a Trilateral, os Illuminati, etc.).

É nesta fase capitalista de aparente derrocada que a Igreja pretende assumir os comandos e fazer avançar as fortunas. É um aparente contrasenso. Mas se o conseguir, o capitalismo comandará a vida dos homens no próximo milénio. Se a intenção morrer pelo caminho, como parece provável, será ao homem que cumprirá escolher o seu destino – livre, fraterno e socialista.

Quando estivermos na posse do texto do Vaticano, falaremos então dessa «Proposta da Igreja de reforma do sistema financeiro mundial».



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