<i>CineAvante!</i>
O cinema português ganhou por direito próprio espaço destacado na Festa. No espaço CineAvante!, o melhor do cinema documental e de ficção, curtas e longas-metragens, produzido nos ultimos anos, merecem a atenção dos visitantes, que poderão ainda dialogar com alguns dos realizadores.
Da programação apresentada destacam-se as ultimas produções de Sérgio Tréfaut, Viagem a Portugal e A Cidade dos Mortos, o documentário José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes, Fantasia Lusitana, de João Canijo, de Marta Pessoa Quem Vai à Guerra e uma mostra de curtas que passaram no projecto Shortcutz.
Sinopses
Quem Vai à Guerra
Passados 50 anos desde o seu início, a guerra é, ainda hoje, um assunto delicado e hermético, apoiado por um discurso exclusivamente masculino, como se a guerra só aos ex-combatentes pertencesse e só a eles afectasse. Quem vai à guerra é um filme de guerra de uma geração, contado por quem ficou à espera, por quem quis voluntariamente ir ao lado e por quem foi socorrer os soldados às frentes de batalha. Um discurso feminino sobre a guerra.
Goodbye Alaska
Goodbye Alaska é um filme sobre a perda de esperança e o encontrá-la novamente. Debate-se sobre os diferentes caminhos e escolhas que fazemos na vida e as diferentes direcções que depois levamos. Alaska simboliza uma mulher, uma terra única e pura. Onde os sonhos se tornam realidade e podemos ser um só com a Natureza. Também simboliza um dos sítios mais frios do planeta, solidão e desespero.
Setúbal - Uma galinha que não canta
Alegoria da cidade sensível, directamente influenciada pelos altos e baixos de um país incerto. Setúbal que produz e que produziu, hoje é cidade do povo, ontem também…é seu reflexo.
Crime Abismo Azul Remorso Físico
Amadeu não só foi um grande pintor, mas um artista total. Apanhado na ratoeira do país onde nasceu, pelo tempo de destruição em que viveu e por si mesmo, teve uma vida curta e não lhe foi consentido o reconhecimento internacional que poucos artistas portugueses podiam ter tido
Sinfonia Imaterial
Tiago Pereira percorreu o país de uma ponta à outra, de Braga a Porto Santo, a convite da Fundação INATEL, e pelo caminho foi recolhendo fragmentos de um património imaterial riquíssimo que nos últimos anos tem tentado escudar e – em muitos casos – resgatar do esquecimento. O resultado é Sinfonia Imaterial.
Sem voz-off ou entrevistas, Sinfonia Imaterial tenta, mais que ser um documentário convencional ou uma recolha estritamente etnográfica, representar um olhar abrangente sobre um lado frequentemente ignorado da cultura portuguesa: o património oral tradicional. O imenso material recolhido, condensado num filme de cerca de 60 minutos, percorre diversos artistas, locais e géneros musicais, numa prática que anualmente envolve mais de um milhão de pessoas em Portugal.
José e Pilar
A Viagem do Elefante, o livro em que Saramago narra as aventuras e desventuras de um paquiderme transportado desde a corte de D. João III à do austríaco Arquiduque Maximiliano, é o ponto de partida para José e Pilar, filme de Miguel Gonçalves Mendes que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Río.
Mostra do dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo, José e Pilar é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo – ou, pelo menos, em torná-lo melhor.José e Pilar revela um Saramago desconhecido, desfaz ideias feitas e prova que génio e simplicidade são compatíveis. José e Pilar é um olhar sobre a vida de um dos grandes criadores do século XX e a demonstração de que, como diz Saramago, «tudo pode ser contado doutra maneira».
Fantasia Lusitana
A propaganda imaginada e imaginária do salazarismo, durante a II Grande Guerra, pregava a proeza de uma neutralidade devida ao génio de Salazar. Segundo essa propaganda, que proclamava a ausência da guerra no meio da guerra, mesmo com o fluxo de refugiados que chegava a Lisboa, Portugal era um paraíso de paz e tranquilidade, um «oásis de paz» totalmente alheio a uma guerra que só dizia respeito aos outros. A sensação que a propaganda transmitia era a de uma guerra que só afectava os portugueses na medida das dificuldades de sobrevivência. A propaganda, elevada a extremos nas crónicas do Jornal Português, ajudou a criar uma espécie de inconsciência protectora que seria cómica se não fosse trágica.
A Outra Guerra
Nas décadas de 60 e 70, em plena guerra colonial, os jovens portugueses tiveram de optar entre a guerra ou a pesca do bacalhau. Através de uma viagem, hoje, a bordo do último lugre português da pesca do bacalhau – o Creoula – três antigos pescadores da grande faina contam as razões das suas escolhas. Recordam as campanhas de seis intermináveis meses nas águas geladas dos bancos da Terra Nova e as duras condições de vida e de trabalho da sua juventude.
A Cidade dos Mortos
A Cidade dos Mortos, no Cairo, é a maior necrópole do mundo. Um milhão de pessoas vivem dentro do cemitério – em casas tumulares ou nos edifícios que cresceram em redor. Dentro do cemitério há de tudo: padarias, cafés, escolas para as crianças, teatros de fantoches...
A Cidade dos Mortos estende-se por mais de dez quilómetros ao longo de uma auto-estrada, mas não deixa de ser uma aldeia, com mães à caça de um bom partido para as filhas, rapazes a correr atrás das raparigas, disputas entre vizinhos. Preparado e rodado ao longo de cinco anos (2004-2009), este filme procura dar a ver a alma invisível do cemitério.
SHORTCUTZ
O SHORTCUTZ é um movimento internacional de curtas-metragens e é parte integrante do LABZ, o novo projecto da SUBFILMES CREATIVE NETWORK. LABZ é uma platafoma internacional e multidisciplinar de promoção e divulgação de talentos na área da cultura urbana.
Mais do que um festival, mais do que uma mostra, o SHORTCUTZ pretende-se uma autêntica revolução urbana de ideias, projectos e pessoas na área das curtas metragens e que, dessa forma, se torne parte indissociável e constante da vida criativa, cultural e artística das cidades nele envolvidas.
Muitos Dias Tem o Mês
Com o simples gesto dum cartão de crédito ou um telefonema, os nossos sonhos tornam-se realidade. Por todo o lado somos seduzidos, o recurso ao crédito vulgarizou-se e o consumo democratizou-se. Tudo nos indica que a felicidade só se alcança através do consumo. E tudo tem aparentemente um preço. Mas, qual é o preço das nossas necessidades? Qual o preço dos nossos sonhos? Será que estamos dispostos a pagá-lo?
Entre o inferno e a redenção, prazer e restrição, Muitos Dias Tem o Mês traça um retrato de homens e mulheres que vivem uma angústia que se repete todos os meses: serão capazes de pagar os seus empréstimos e sobreviver até ao mês seguinte? Pessoas endividadas que vivem as suas vidas ao ritmo quotidiano dos prazos, das obrigações e do esforço para retomarem o controlo das suas vidas. Dia a dia. Mês a mês.
Matar o Tempo
Um grupo de operários está há meses em vigília de protesto à porta da empresa que os dispensou. Os dias passam-se na barraca que montaram à entrada da empresa. Aguardam por uma decisão do tribunal que dê razão ao seu protesto. Enquanto esperam, procuram maneiras de matar o tempo.
Brecht - Livre Acesso
Documentário que explora os processos da criação de uma peça de teatro, espreita-se a intimidade de um projecto que reclama uma ligação mística ao autor da peça, Bertolt Brecht. A câmara segue os ensaios de O Senhor Puntila e O Criado Matti, um espectáculo encenado por João Lourenço e protagonizado por Miguel Guilherme. Há confissões, pensamentos e reflexões artísticas. E há sobretudo um acesso total a um trabalho de artistas em estado de graça. Trata-se de um anti making-off.
Viagem a Portugal
A situação transforma-se num pesadelo quando a polícia percebe que o homem que espera Maria no aeroporto é senegalês. Imigração ilegal? Tráfico humano? Tudo é possível. Viagem a Portugal é um filme inspirado numa história real.