PCP promoveu debate sobre a agressão à Líbia

É urgente parar os bombardeamentos

A Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP promoveu um debate sobre a agressão imperialista à Líbia, donde sobressaiu um apelo unânime à solidariedade para com o povo líbio e à mobilização em defesa do fim imediato dos bombardeamentos da NATO.

«Os líbios manifestam-se diariamente contra a agressão, salientou Silas Cerqueira»

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Na iniciativa, realizada fez ontem uma semana, participaram Silas Cerqueira, activista e fundador do movimento da paz em Portugal e de solidariedade para com os povos em luta, recentemente regressado de Tripoli, e Manuela Bernardino, do Secretariado do Comité Central do PCP.

Perante uma plateia composta por mais de uma centena de militantes comunistas e independentes ligados ao movimento da paz, coube à responsável pelas relações internacionais do Partido a primeira intervenção, começando por denunciar a falsidade dos argumentos invocados pelos EUA, França, Grã-Bretanha e NATO para desencadearem os ataques.

Manuela Bernardino lembrou que já nas agressões à Jugoslávia, Afeganistão ou Iraque, o imperialismo socorreu-se de falsos pretextos para desencadear as operações militares, e criticou o papel do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nomeadamente a aprovação de duas resoluções, a 1970 e a 1973, invocadas para se levar por diante uma campanha ilegítima, ilegal e criminosa.

Para a dirigente comunista, o que verdadeiramente está em causa nesta guerra é o controlo dos recursos energéticos e a manutenção do domínio sobre toda uma região abalada por revoltas populares que o imperialismo procura conter e contrariar, facto comprovado pela ameaça que a agressão representa para todos os povos do Magreb e Médio Oriente, e pela hipótese de instalação do Comando Norte-Americano para África (AFRICOM) na Líbia.

Manuela Bernardino sublinhou ainda que o novo conceito estratégico da NATO, aprovado na Cimeira de Lisboa, dá cobertura à ingerência da Aliança Atlântica em conflitos internos, como fica demonstrado no caso da Líbia, e que isso não pode ser desligado da actual crise capitalista, no quadro da qual as potências capitalistas lutam por manter a sua hegemonia pela força das armas.

 

«Tinha de ir, tinha de ser»

 

Antes de ser dada a palavra aos participantes no debate – que colocaram questões relacionadas com a correlação de forças ao nível mundial, nomeadamente o papel de alguns países emergentes face à aprovação, em tempo recorde, das resoluções 1970 e 1973; e enfatizaram, com vários exemplos, a desinformação e as mentiras difundidas pela comunicação social –, Silas Cerqueira sintetizou parte da sua experiência recente em Tripoli.

Mesmo pesando o sacrifício pessoal, «tinha de ir [à Líbia], tinha de ser», afirmou. O isolamento e a barbárie a que está a ser sujeito o povo líbio impunham que fosse à Conferência Internacional da Associação de Advogados e Juristas do Mediterrâneo, precisou o activista da paz.

Na iniciativa, contou, foram ouvidos os testemunhos de vítimas civis dos bombardeamentos e das agressões terroristas a um país soberano e membro de pleno direito das Nações Unidas, denunciaram-se os crimes de guerra deliberadamente praticados pela NATO e valorizou-se o plano de paz africano como saída imediata para o conflito.

Os participantes na Conferência, sublinhou ainda Silas Cerqueira, tiveram também oportunidade de visitar numerosas infra-estruturas civis e outros locais sem qualquer fim militar reduzidos a escombros, e testemunharam as manifestações diárias de apoio à integridade territorial e unidade da Líbia.

Da capital do país, Tripoli, lançaram igualmente um apelo aos povos de todo o mundo para que ajam no sentido de travar uma guerra de consequências imprevisíveis para a região, para que, pela força das massas em movimento, repudiem a agressão e exijam o fim imediato dos bombardeamentos.



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