Criada a «Associação Conquistas da Revolução»

Agir pelo valores de Abril

A «Associação Conquistas da Revolução» é finalmente uma realidade. Ganhou corpo e vida no sábado, 18, na Casa do Alentejo, local onde se realizou a assembleia constitutiva que aprovou os estatutos e elegeu a comissão instaladora.

Constituição é alvo preferencial da ofensiva anti-Abril

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Cumprida foi assim a vontade de quantos tendo o 25 de Abril no coração fazem dos seus valores e ideais um guia de acção para as lutas do presente e do futuro.

Foi esse espírito de fidelidade a Abril e às suas conquistas, onde não faltou a evocação dessa figura maior de referência que é o General Vasco Gonçalves, que esteve muito presente nos trabalhos da assembleia.

Acto que contou com a presença de 140 aderentes, que passaram à condição de associados, sendo ainda marcado por um ambiente de grande fraternidade e camaradagem, entusiasmo e forte sentido de participação, bem patente aliás nas numerosas intervenções proferidas ao longo de mais de duas horas.

A mesma adesão e interesse com que fora acolhida já por muitas e muitas pessoas, de Norte a Sul do País, logo que dela se soube, a ideia de criar a Associação Conquistas da Revolução.

Este foi, pois, o culminar de um processo que germinou a partir da ideia de criar uma associação com as características da Associação Conquistas da Revolução, projecto esse que assumiu a forma de «compromisso renovado aquando da morte do General Vasco Gonçalves», como salientou o comandante Manuel Begonha, militar de Abril que presidiu aos trabalhos.

A primeira intervenção, depois de aprovadas por unanimidade a composição da mesa e a ordem de trabalhos, coube a José Casanova, director do Avante!, que falou da assembleia e seus objectivos.

Dados a conhecer por si com detalhe foram os principais passos dados até agora para erguer a Associação, «uma longa caminhada» no decurso da qual houve que superar dificuldades e complicações várias, incluindo a própria designação, que esteve para ser «Associação Vasco Gonçalves».

Alteração do nome a que foi necessário proceder mas que não desvirtuou em nada os objectivos, o sentido ou o conteúdo da Associação. «São os mesmos, apenas o nome é diferente», asseverou José Casanova, lembrando que falar de «conquistas da Revolução é falar de Vasco Gonçalves; falar de Vasco Gonçalves é falar de conquistas da Revolução».

A excelente receptividade das pessoas à Associação foi outro dos pontos tocados pelo director do nosso jornal, vendo nessa adesão fortes razões de confiança para acreditar que estão reunidas «todas as condições para levar por diante o objectivo que presidiu à sua criação».

«E bem necessário é que assim seja neste tempo em que os inimigos de Abril e da sua Revolução – após 35 anos de uma ofensiva devastadora contra tudo o que lhes cheire a Abril – se preparam, agora, para desferir novas machadadas nas conquistas da Revolução», sublinhou, antes de enumerar o extenso rol de crimes e malfeitorias levados a cabo pela contra-revolução - destruição da Reforma Agrária, fim do controlo operário, processo de privatizações, alienação de importantes parcelas da soberania nacional, por exemplo – inscritas como páginas negras e de má memória da nossa história recente.

Tal como a Constituição, também ela um «alvo preferencial da ofensiva anti-Abril», salientou José Casanova, que alertou estar na mira dos «executantes da política de direita» «acabar de vez com tudo o que nela resistiu às sete revisões já feitas, acabar com tudo o que, de Abril, nela existe – e é muito, ainda».

Daí que, concluiu, lutar pela defesa da Lei Fundamental seja lutar por Abril, luta na qual a partir de agora assume também um importante lugar e papel a Associação Conquistas da Revolução.

 

Associados com muito trabalho pela frente

 Divulgar e promover

 

Coube a outro militar de Abril, Duran Clemente, dirigir o ponto da ordem de de trabalhos dedicado à proposta de Estatutos da Associação. Depois de uma exposição inicial sobre a sua estrutura e conteúdo, seguiu-se um período de discussão muito participado do qual resultou um aperfeiçoamento do texto, nomeadamente no que se refere ao seu artigo relativo ao objecto da Associação. Na sua formulação final, numa síntese redigida conjuntamente pela mesa e pelos autores das várias propostas entretanto apresentadas, o artigo diz que a «Associação tem por objecto preservar, divulgar e promover o apoio dos cidadãos aos valores e ideais da Revolução, iniciada em 25 de Abril de 1974, esse que foi o momento mais luminoso da História de Portugal, cultivando o espírito revolucionário e a consciência social progressista, com a construção de uma democracia política, económica social e cultural amplamente participada, que a Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de Abril de 1976, viria a consagrar».

Nota de realce merece ainda o facto de, no capítulo relativo aos associados, seus direitos e deveres, estar previsto conceder a personalidades a categoria de «associados de mérito», qualidade essa que, desde já, é conferida e inscrita nos Estatutos, a título póstumo, ao General Vasco Gonçalves.

A aprovação do texto final dos Estatutos, por unanimidade e aclamação, foi sublinhada por fortes aplausos e pela palavra de ordem «25 de Abril Sempre!», que a plenos pulmões ressoou no belo salão da Casa do Alentejo.

Aprovada igualmente por unanimidade – no que foi o derradeiro ponto da ordem de trabalhos, precedendo um momento de convívio - foi a comissão instaladora da Associação Conquistas da Revolução.

Integram-na os seguintes elementos: Beatriz Nunes, Modesto Navarro, Vieira Nunes, Henrique Mendonça, João Proença, Joaquim Ponte, José Capucho, José Domingos, Nuno Lopes, José Emílio, Baptista Alves, Duran Clemente, Manuel Begonha, José Casanova, José Sucena, Valdemar Santos, Victor Lambert e Nuno Lopes.

 



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