Preço dos alimentos subiu 138 por cento desde 2003

À beira dos mil milhões de famintos

Nos últimos oito anos, o preço dos géneros alimentares básicos registou uma subida constante, diz a FAO, que adverte ainda para a previsível manutenção desta tendência pelo menos até 2012.

«Uma em cada sete pessoas no mundo passam fome»

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Na apresentação do seu relatório bianual, em Roma, faz hoje uma semana, a organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação revelou que, desde 2003, o valor de mercado dos principais alimentos a nível mundial cresceu 138 por cento, isto é, nos últimos oito anos, o preço da tonelada passou de 97,7 para 233,5 dólares.

O aumento foi quase sempre constante, demonstra a FAO. Em 2004, uma tonelada de géneros básicos custava 112,4 dólares; em 2005 custava 117,3 dólares; em 2006 custava 126,5 dólares; em 2007 custava 158,6 dólares; em 2008 custava 199,6, e assim sucessivamente até aos actuais 233,5 dólares, exceptuando o ano de 2009 em que a tonelada de alimentos desceu para os 156,8 dólares

Ainda segundo aquela organização da ONU, quatro géneros fundamentais ilustram com clareza a progressão. A tonelada de carne valia 96,8 dólares em 2003. Actualmente cifra-se em 175,2 dólares, ou seja, aumentou 80 por cento.

Nos cereais, óleos alimentares e açúcares repete-se com agravamento este cenário, diz a FAO, com progressões de 161 por cento (de 98,1 para 256,4 dólares), 164 por cento (de 100,8 para 267 dólares ), e 271 por cento (de 100,6 para 373,4 dólares), respectivamente.

A FAO estima também que a factura global de importação de alimentos alcance um novo recorde mundial de 1,29 mil milhões de dólares, e que 2011 e 2012 sejam anos em que se atinjam máximos históricos nos preços, já que os aumentos bruscos assinalados no início deste ano só tiveram uma ligeira descida de 1 por cento no passado mês de Maio.

 

Consequências dramáticas

 

Neste quadro de agravamento dos preços dos alimentos, os povos sofrerão consequências devastadoras, particularmente as populações dos países subdesenvolvidos, já que, por exemplo, nos EUA uma família gasta, em média, 7 por cento do rendimento disponível em alimentação, e na África subsaariana essa taxa cresce para valores nunca inferiores a 40 por cento, calcula a FAO.

No mesmo sentido, a Organização Não-Governamental Oxfam veio afirmar que, este ano, o preço médio dos alimentos básicos deverá subir entre 120 e 180 por cento.

A ONG projecta também um aumento considerável do número de famintos. No final de 2010, calculava-se que 925 milhões de seres humanos não tinham o que comer. Só nos primeiros cinco meses deste ano, outros 44 milhões engrossaram aquele contingente, sendo previsível que, até ao final de 2011, se alcance a cifra de mil milhões de famintos registada em 2008.

Uma em cada sete pessoas no mundo passam fome, isto apesar de serem produzidos alimentos em quantidade suficiente para alimentar todos, observa a Oxfam.



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