O futuro que é já presente
A Cidade da Juventude é, por excelência, o ponto de encontro dos jovens – comunistas ou não – que visitam a Festa do Avante!, pois é ali que estão plasmados os seus problemas, os seus sonhos, as suas lutas. Planificada, construída e assegurada por jovens, ela prova, como nenhum outro espaço da Festa, que a juventude não é apenas o futuro do Partido como também muito do seu presente.
«A Festa que a juventude fez sua.» Foi assim que não há muitos anos nos referimos, no Avante!, à nossa Festa, constatando a presença entusiasta e entusiasmante dos jovens não só durante os três dias – participando em debates, assistindo aos espectáculos ou assegurando os múltiplos serviços necessários ao seu funcionamento – mas também na construção. De então para cá, tem sido cada vez mais assim.
Este ano, cabe uma vez mais à JCP a construção do seu espaço – a Cidade da Juventude – e a colocação das coberturas em todo o recinto da Festa, uma tarefa tão mais complexa que obriga, para esta edição, à constituição de duas equipas, uma delas apenas para levar a bom porto o exigente projecto do Pavilhão Central. Mas a JCP estará à altura deste enorme desafio, confia João Martins, membro da Comissão Política da Direcção Nacional da JCP e responsável pela implantação da Cidade da Juventude. A sustentar esta confiança está a elevada participação de jovens na construção da Festa: pela brigada fixa passaram, desde 20 de Julho, perto de 30 e só na última jornada de trabalho participaram mais de 70.
Para João Martins, se a construção da Cidade da Juventude está «muito adiantada», tal deve-se ao empenho colocado no trabalho por todos aqueles que por ali têm passado, alguns dos quais muito novos. O facto de muitos jovens terem ali o seu primeiro contacto com o trabalho – «alguns nunca pintaram ou pregaram um prego», lembra – não atrasa nem dificulta o trabalho, dado que a inexperiência é suplantada por uma «imensa vontade de aprender».
Tal como João Martins, também Cátia Lapeiro, membro do Secretariado e responsável, na direcção da JCP, pela Festa do Avante!, valoriza a formação política, ideológica e mesmo humana que a participação na construção da Festa potencia: ali aprende-se, por exemplo, o valor do trabalho organizado e do rigor no cumprimento das mais variadas tarefas. Ou, como acrescentou João Martins, «aprende-se o que é a militância».
Três dias de dedicação sem limites
Também nos três dias da Festa do Avante!, a dedicação dos jovens é posta à prova, tal como a sua capacidade de organização e realização. Toda a Cidade da Juventude – desde o projecto às escalas de serviços, passando pela programação cultural e política – é assegurada pela JCP, que ainda «dá» alguns militantes para suprir necessidades gerais da Festa.
Só no seu espaço, os jovens comunistas (com a participação de muitos outros que o não são) têm a seu cargo dois palcos, vários bares e bancas de venda de materiais. Pela Festa andarão grupos de jovens a vender o jornal da JCP, o Agit, e a falar com os visitantes sobre as propostas, a actividade e o projecto da JCP – nas célebres «Brigadas de Contacto» (ver texto nestas páginas). Esta última tarefa, pelas suas características, requer uma preparação política especial por parte da meia centena de jovens comunistas que a vierem a desempenhar, revela Cátia Lapeiro. O mesmo se passa com a banca de divulgação do 17.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que se realiza este ano em Joanesburgo, na África do Sul. Os camaradas que ali cumprirem a sua tarefa estarão preparados para falar sobre os objectivos, características e história desta grande iniciativa internacional.
A luta da juventude pelos seus direitos e aspirações marcará, de forma indelével, a Cidade da Juventude deste ano, tanto na decoração como na exposição política. Nem poderia ser de outra maneira, pois se há coisa (entre tantas outras) que diferencia os comunistas é a certeza de que nada se conquista sem luta – para a qual contribuem de forma decisiva, no dia-a-dia das empresas, dos locais de trabalho, das escolas e das universidades! Esta determinação dos jovens comunistas em terem uma voz activa na construção de um futuro que será também o seu ficará uma vez mais vincada no grande desfile para o comício de domingo.
Espaço conhecido pela sua alegria e combatividade, a Cidade da Juventude é também um local onde os mais variados projectos culturais e artísticos encontram espaço para se exprimir. No palco Multiusos passarão, como habitualmente, diversas expressões culturais, para além do debate político (ver caixa). Asseguradas estão já actuações de DJ, música acústica e tunas académicas. Um workshop de teatro e a passagem de curtas metragens compõem a programação.
Debates no Palco Multiusos
Sábado, 4 de Setembro
12 horas: Quem faz a guerra não quer a paz
14 horas: Ambiente
Domingo, 5 de Setembro
14 horas: Avante com a luta, pelos direitos da Juventude!
Manifesto à Juventude Portuguesa
dá mote a «Brigadas de Contacto»
Lutar com alegria
pela transformação do mundo
As «Brigadas de Contacto» da JCP são uma interessante realidade da Festa do Avante!. Grupos de jovens militantes comunistas percorrem todo o recinto abordando os visitantes e convidando-os a aderir à JCP. Entre a abordagem e o convite travam-se conversas sobre o projecto e as propostas da JCP, o ideal comunista, as aspirações e lutas da juventude. Normalmente, estas «Brigadas» são responsáveis por largas dezenas de novas adesões.
Este ano, as «Brigadas de Contacto» terão como ponto de partida o Manifesto à Juventude Portuguesa, aprovado no final do 9.º Congresso da JCP, realizado em Lisboa no final de Maio, que tem como título Lutamos e lutaremos para mudar e transformar o mundo!
Nesse Manifesto, os jovens comunistas afirmavam que «com toda a alegria dizemos que nos dedicamos à construção de uma sociedade nova, e que esse simples facto nos anima a cada dia, nos dá força, vontade e energias para continuar lutando». «Lutamos por uma sociedade livre! Livre da exploração de um homem por outro, livre da opressão, livre do racismo, livre da xenofobia, livre da guerra, livre de bloqueios, livre da repressão e da pobreza! Lutamos por uma sociedade participativa! Onde todos têm um papel de destaque na sua construção, onde todos têm o direito a aprender, onde a todos é garantido o direito de criar e partilhar essas mesmas criações! Lutamos por uma sociedade de igualdade! Onde não cabe a discriminação, onde não cabe a destruição do ambiente, onde não cabe a destruição de países e culturas! Uma sociedade de paz e cooperação, uma sociedade de progresso social, esta sociedade é o Socialismo! Esta é a razão maior da nossa luta!»
Alertando para os que tentam «espalhar a resignação, injectar e o conformismo, quebrar a confiança», dizendo que tal sociedade não é possível, os jovens comunistas respondem: «não só é possível como é o futuro!» Já anteriormente, lembram, «milhares de comunistas e outros democratas portugueses lutaram e conquistaram direitos que então se chamavam de impossíveis».
No Manifesto – como sucederá certamente em muitas das conversas que serão tidas na Festa – destaca-se ainda que «por todo o mundo a juventude luta e resiste», seja pelo emprego ou pelo ensino público, universal e gratuito, seja pela independência e soberania nacionais ou pela auto-determinação. Em todas estas lutas, a juventude resiste «corajosamente ao avanço catastrófico do imperialismo, fase avançada do capitalismo, libertando-se do jugo neo-colonial, das agressões militares, dos bloqueios e sabotagens».
«Da nossa parte afirmamos que podem contar com os jovens comunistas e com a sua organização, a Juventude Comunista Portuguesa, para prosseguir o caminho de encorajamento e estímulo, de consciencialização e mobilização, mas sobretudo, podem contar com a nossa presença e participação activa! Orgulhamo-nos de pertencer à organização revolucionária da juventude portuguesa; orgulhamo-nos de viver a lutar; orgulhamo-nos de participar na construção do Futuro e é com imensa alegria que o fazemos. Somos felizes por viver e lutar porque, A alegria de viver e lutar vem-nos da profunda convicção de que é justa, empolgante e invencível a causa por que lutamos. Vamos pois, com a luta da Juventude, construir o futuro!»
Palco Novos Valores
Dar uma oportunidade à música
Estão já apuradas as oito bandas que actuarão no Palco Novos Valores da Festa do Avante!, juntamente com outras quatro, convidadas. Os festivais de bandas da JCP deram, uma vez mais, oportunidade a jovens grupos de mostrar o seu trabalho.
As duas finalíssimas, Norte e Sul, tiveram lugar na noite de sábado e apuraram cada uma quatro bandas. No Norte, as bandas escolhidas foram: Pyroplastos (Bragança); Kartel131 (Braga); Thirdsphere (Castelo Branco); e Caducados (Guarda). A Sul, foram seleccionadas Betão Armado (Algarve); Líbido (Évora); Máscara (Beja); The Prozac (Portalegre). Actuarão também no Palco Novos Valores quatro bandas convidadas – Happy Mothers; Fábrica de Brinquedos; C4 e Let the Jam Roll.
A realização das duas finalíssimas culmina um longo processo iniciado há meses, quando o concurso começou a ser divulgado em todas as regiões do País. A resposta foi impressionante: a JCP recebeu perto de 100 maquetes, contou ao Avante! Miguel Violante, da Direcção Nacional e responsável, este ano, pelo Palco Novos Valores. Pelo meio estão 16 finais regionais e mais algumas concelhias, quando o número de bandas o justificou.
Das bandas concorrentes, Miguel Violante destaca a variedade de estilos musicais e a imensa juventude de algumas delas. Mais do que dar oportunidade a oito destes grupos de actuar na Festa do Avante!, este concurso permitiu que várias dessem o primeiro concerto da sua vida. Como afirmou o responsável pela iniciativa, a política do Governo e da generalidade das autarquias não dá estas oportunidades...
«Há membros destas bandas que ficam surpreendidos quando se apercebem que é uma organização de juventude partidária a realizar uma iniciativa deste género», acrescentou, lembrando que muitos deles têm aqui o primeiro contacto com a JCP.
Miguel Violante destacou também o bom ambiente sentido em todos os festivais. «Nós tentamos dar as melhores condições às bandas para actuarem, mas nem sempre é possível. Houve sempre uma grande compreensão quando surgiram problemas.»