Breves
Parmalat custa caro aos italianos
O ministro da economia, Giulio Tremonti, anunciou que a falência fraudulenta do grupo agroalimentar Parmalat irá custar 11 mil milhões de euros aos cofres do Estado: «o equivalente, para a Itália, à correcção da última lei das finanças», ou seja um montante igual às medidas extraordinárias tomadas pelo governo para manter o défice abaixo dos três por cento, declarou no dia 14, na véspera da audição pela comissão parlamentar sobre as causas do crash.
O ministro acrescentou que já em 2001, a crise argentina tinha absorvido «um por cento da riqueza nacional», isto é 12,3 mil milhões de euros. Tudo porque, antes da bancarrota, as instituições bancárias transalpinas tinham comprado 15,6 por cento dos 88 mil milhões de dólares emitidos em títulos pela Argentina.
Entretanto, no âmbito da investigação do caso Parmalat, a esposa de Fauto Tonna, o antigo director financeiro, foi presa, dia 14, sob a acusação de branqueamento de capitais. O seu marido, número dois do grupo, ameaça agora não colaborar mais com os investigadores.

Berlusconi perde a imunidade
O Tribunal Constitucional italiano chumbou o primeiro artigo da lei que suspendia todos os processos judiciais contra os cinco mais altos responsáveis do Estado. Esta decisão, tomada no dia 13, é um sério revés para o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o único político que beneficiou com a aprovação do diploma, em Junho passado, ficando livre do processo em curso no Tribunal de Milão, em que é acusado de corrupção.
Considerada agora inconstitucional por violar o princípio da igualdade e o direito à defesa dos cidadãos, a referida foi feita e aprovada à pressa para evitar que Berlusconi fosse chamado a responder à Justiça durante o semestre em que a Itália assumiu a presidência da União Europeia, iniciada em Julho.
No processo SME, empresa pública agroalimentar, que poderá vir a ser retomado em breve, Berlusconi e outros oito arguidos são acusados de corrupção em actos judiciários, designadamente de magistrados.

Europeus temem a guerra
A maioria dos europeus está convencida de que as ameaças à paz e à segurança no mundo aumentaram no último ano, segundo uma sondagem Ipsos encomendada pelo grupo de aeronáutica e defesa EADS, divulgada na segunda-feira, 19.
Seis europeus em 10 consideram que tais ameaças aumentaram, no seu conjunto, em relação ao ano passado, indicou o director-geral da Ipsos, Edouard Lecerf, comentando os resultados da sondagem efectuada em Novembro na Alemanha, Espanha, Itália, França e Reino Unido.
«Há um sentimento difuso de ameaça», sublinhou. Cerca de 61 por cento das pessoas inquiridas consideram que as ameaças à paz e à segurança no mundo são maiores, ao passo que apenas cinco por cento estimam que diminuíram e um terço que elas são idênticas.

Faltam licenciados em ciência
Portugal e a Holanda são os países da União Europeia com menor percentagem de licenciados em Ciência, enquanto a Irlanda ocupa o primeiro lugar, segundo um relatório do gabinete de estatísticas europeu.
Segundo os dados divulgados, na segunda-feira, pelo Eurostat, relativos a 2001, os cursos na área da Ciência foram escolhidos por apenas 11 por cento dos cerca de dois milhões de novos diplomados em 2001, com idades compreendidas entre os 20 e os 29 anos.
A Irlanda detêm a percentagem mais elevada de graduados em Ciência (20 por cento), seguida da França (15 por cento) e do Reino Unido (13 por cento), enquanto Portugal e a Holanda se limitam a cinco por cento do total de licenciados.

Greve na Alitalia
Mais de 18 mil passageiros foram afectados pela greve de oito horas cumprida na segunda-feira, 19, pelos trabalhadores da companhia aérea Alitalia. A jornada de luta destinou-se a protestar contra o plano para 2004-2008 que prevê perto de 1500 despedimentos e a transferência de mais de 1200 postos de trabalho. O estado italiano, que detém 62 por cento da companhia, pretende com este plano completar a sua reestruturação antes privatizá-la entregando-a ao consórcio formado pela Air France e a holandesa KLM.
Os trabalhadores manifestaram-se em frente à sede do Ministério da Economia, no centro de Roma, causando sérias perturbações no trânsito.