«Baixem as armas, subam os salários!»
Em Itália, em França e na Alemanha, grandes mobilizações populares contestam o aumento do custo de vida, o ataque a direitos, os cortes nas áreas sociais, o militarismo, a escalada armamentista e a guerra, reclamando em alternativa melhores salários e pensões, direitos sociais, o financiamento adequado dos serviços públicos, a paz.
Não ao aumento do custo de vida, não à guerra, não ao armamento, exigem nas ruas centenas de milhares
Em Itália, na sexta-feira, 30, realizou-se uma greve geral convocada pela União Sindical de Base (USB) contra a política do governo de Giorgia Meloni, que resultou em grandes mobilizações populares contra o aumento do custo de vida, juntando organizações sindicais, políticas e sociais, trabalhadores, estudantes, pensionistas, agricultores, em mais de 60 cidades.
Nas manifestações e concentrações em que participaram muitas centenas de milhares de pessoas, ouviram-se palavras de ordem como «Baixem as armas, subam os salários» ou «Não à vida cara, não à guerra, não ao rearmamento!».
A USB denuncia os baixos salários e pensões, o aumento do custo de vida, a subida dos preços dos combustíveis, os cortes de verbas que atingem o direito à saúde, à educação, à habitação. E opõe-se frontalmente às políticas de armamento e à economia de guerra, num contexto em que nos países que integram a NATO e a UE os gastos militares aumentam em detrimento dos salários, das pensões, dos direitos.
Para 20 de Novembro está convocada uma nova greve geral pela Central Geral Italiana do Trabalho (CGIL).
Em França, muitas centenas de milhares de pessoas participaram na jornada de luta que decorreu no sábado, 31, promovida pelos sindicatos, os estudantes e o movimente “Coletes amarelos”, por melhores salários, por direitos, contra o aumento do custo de vida, o ataque aos direitos sociais, as más condições nas escolas. Este foi o terceiro sábado consecutivo de mobilizações populares massivas em França, sem que o governo Macron apresente resposta às reivindicações dos trabalhadores, dos estudantes do ensino secundário e universitário, da população.
Uma greve geral está prevista para esta quinta-feira, 5, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), para exigir respostas face à degradação das condições de vida. A CGT exige aumentos salariais, a subida do salário mínimo, o financiamento adequado dos serviços públicos.
Na Alemanha, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas em 34 cidades, respondendo ao apelo de associações juvenis, exigindo investimento na educação, na saúde, na segurança social, e rejeitando a política belicista do governo Merz, incluindo a reintrodução do serviço militar obrigatório para usar os jovens como carne para canhão nas guerras da NATO.
Ao mesmo tempo, sucedem-se as greves no sector industrial alemão, que tiveram expressão em unidades da Audi, Mercedes-Benz e Tata Sleel. Os sindicatos reivindicam aumentos salariais, como forma de responder ao agravamento do custo de vida, e medidas para proteger os postos de trabalho e as unidades industriais.
Mobilização de estivadores
No dia 30, teve lugar uma mobilização internacional de estivadores com o lema «Os trabalhadores portuários não trabalham para a guerra», coordenada pela Federação Sindical Mundial, contra o trânsito de armas pelos portos. Estiveram envolvidos 115 portos de 22 países de cinco continentes, entre os quais 24 portos franceses, dez portos gregos, nove portos italianos e três portos turcos, para além de acções noutros países.




