- Nº 2761 (2026/10/29)
A reeleição de Lula da Silva como Presidente da República Federativa do Brasil constitui uma clara e importantíssima vitória do povo brasileiro, das suas forças democráticas e progressistas e uma pesada derrota para a extrema-direita golpista e para o imperialismo. É uma vitória histórica, construída a pulso em condições muito difíceis por uma impressionante mobilização popular. As ruas de todo o Brasil foram tomadas, durante três semanas por milhões e milhões de pessoas: na campanha de rua constante, assente em milhares e milhares de pequenas acções diárias, como em dezenas de fascinantes acções de dimensão gigantesca, à escala de milhões, com uma impressionante coragem e determinação e uma contagiante alegria e convicção de que era possível. Nas redes sociais, uma igual multidão de milhões de activistas digitais – onde se inclui o «Exército Lula» que reuniu mais de 10 de milhões de participantes – conseguiu furar o cerco das grandes multinacionais ao serviço da extrema-direita e do imperialismo, contornar algoritmos, neutralizar campanhas negras e rasteiras, e ocupar grande parte do espaço digital com a mensagem da «virada» e do combate pela democracia.
Foi esta mobilização, estimulada por várias forças políticas, sindicais, estudantis e outras, e construída claramente a partir de baixo porque assim entendida e assimilada, que fez aumentar, entre a 1.ª e a 2.ª voltas, em mais de 10 milhões, os votos no Presidente Lula, facto que ditou uma vantagem de mais de 4 milhões e 400 mil votos nesta segunda volta. Foi essa força vinda de baixo, dos trabalhadores, dos estudantes, da juventude, do povo e das suas organizações de massas, que alargou em muito a compreensão do que estava em causa e fez uma autêntica mole humana sair à rua para tomar nas suas mãos a defesa da democracia e da soberania brasileira.
Estas linhas são ainda escritas no Brasil, antes do regresso a Portugal depois da deslocação do PCP a São Paulo. Quer para as dezenas de delegações internacionais que aqui estiveram, incluindo o PCP, quer para os dirigentes e activistas de partidos com quem mantemos relações no Brasil, o tempo é ainda de profunda alegria e emoção, depois de uma noite eleitoral inesquecível e tão importante para o Brasil. Mas não só. A vitória da extrema-direita golpista nestas eleições era uma peça fundamental da estratégia do imperialismo de aplicação da Doutrina Monroe em toda a região da América Latina. O facto de esses projectos terem sofrido um importante revés, e de a extrema-direita ter sido derrotada por forças com uma natureza anti-imperialista e por um candidato que assumiu a confrontação directa com a administração Trump, é muito importante para todos os povos do continente americano, incluindo para o próprio povo dos EUA, que irá brevemente às urnas. Mas mais ainda… Estas eleições tiveram uma importância verdadeiramente mundial. O Brasil, um dos maiores países do Mundo, fundador do BRICS, continuará a ser dirigido por um governo que se recusa a ser aprisionado pela teia do domínio imperialista, defende a paz, o direito internacional e uma visão alternativa para as relações internacionais. E é por isso que a extrema-direita golpista e sinistras figuras dos EUA ainda esperneiam para tentar negar a evidência de que Lula ganhou, que as eleições foram uma extraordinária lição de participação popular e que nem os boicotes dos milicianos de Bolsonaro, que ditaram o prolongamento da eleição, conseguiram impedir a vitória do povo brasileiro e da democracia!