Protestos estudantis e populares continuam em França
Em Paris e noutras cidades de França, prosseguem e alargam-se as manifestações de estudantes, a que se juntaram trabalhadores e outros sectores sociais. Para esta semana estão marcadas novas acções e foi anunciada uma greve geral para o início de Novembro.
Protestos estudantis e populares são expressão de um mal-estar profundo que o poder não quer escutar
Às manifestações estudantis em luta por melhores condições de ensino, iniciadas em meados de Setembro, juntaram-se trabalhadores e outros sectores. Muitas dezenas de milhares de pessoas têm saído à rua a protestar, foi anunciada uma nova grande mobilização de estudantes e trabalhadores na terça-feira, 13, à tarde (já depois do fecho desta edição do Avante!), e está em preparação uma greve geral para 5 de Novembro, mobilizada pelas principais centrais sindicais.
Aos crescentes protestos dos estudantes por melhores condições de ensino, o governo Macron respondeu com uma brutal repressão, ferindo centenas de jovens e detendo muitos milhares. As violentas provocações e brutal repressão levadas a cabo pela polícia provocaram uma legítima e ampla indignação e repúdio populares, tendo como resposta a ampliação da luta dos estudantes liceais, a que se juntaram os estudantes universitários, docentes, pais, sindicatos, trabalhadores, autarcas, organizações de juventude e forças políticas. A Juventude Comunista Portuguesa entregou anteontem, na Embaixada de França, uma carta de repúdio pela detenção de mais de 7000 estudantes nesse país.
Os jovens franceses reivindicam mais verbas para a educação, a substituição de professores ausentes, mais pessoal administrativo, a reabilitação das instalações, a diminuição do excesso de alunos por sala de aulas.
Tentando pôr fim aos protestos, o governo Macron anunciou no dia 8 uma futura incorporação de três mil professores substitutos, além de contratações adicionais e da possibilidade de estender o horário lectivo, medidas que as organizações estudantis consideram insuficientes, apelando à continuação dos protestos.
Escutar e não reprimir
Os protestos estudantis em França não são uma simples sucessão de desordens juvenis, mas a expressão de um mal-estar profundo que o poder não quer escutar, considera o Secretário Nacional do Partido Comunista Francês (PCF) e candidato à presidência da república, Fabien Roussel.
Para o dirigente comunista, os jovens exigem professores, melhores instalações e recursos nas escolas, mas também respostas sobre o seu futuro. Fabien Roussel exige o fim da repressão contra os estudantes, bem como a revisão da violenta doutrina policial francesa. E alerta que tentar reduzir tudo ao tema da violência significa ignorar as causas sociais da insatisfação. Em sua opinião, boa parte da crise económica e social nasce de políticas que debilitaram as capacidades do Estado e aumentaram a dependência externa.




