Luta cresce em França, Alemanha e Espanha
Trabalhadores, estudantes, populações saem à rua manifestando-se por melhores salários e pensões, por condições de ensino, pelo direito à habitação, contra o militarismo, a escalada armamentista e os ataques aos serviços públicos de saúde, educação e segurança social.
Por direitos e melhores condições de vida, contra o militarismo e a guerra
Em França, continuam os protestos de estudantes liceais contra a deterioração do ensino e os cortes orçamentais, havendo registo de centenas de liceus e outros centros educativos encerrados. As organizações de estudantes convocaram para dia 6 mais uma jornada nacional de protestos, movimentação que conta com o empenho do Movimento de Jovens Comunistas de França. As exigências estudantis passam por soluções urgentes perante a falta de professores, a sobrecarga de turmas, a deterioração das escolas. Os estudantes têm sido vítimas de uma brutal repressão policial promovida pelo governo de Macron, que carregam sobre os estudantes, incluindo a cavalo, lançam gás lacrimogéneo, espancam indiscriminadamente, tendo ferido dezenas de jovens e detido mais de cinco mil. Professores, sindicalistas, autarcas, pais têm tomado a iniciativa de defender os estudantes face à brutalidade policial, que pretende pela promoção da provocação e da violência descredibilizar e isolar o movimento estudantil.
A mobilização dos jovens converge com o descontentamento dos trabalhadores do sector público face aos cortes orçamentais previstos pelo governo. Na semana passada, os trabalhadores aderiram ao apelo das centrais sindicais para uma greve contra a política anti-social do governo. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) estima que 300 mil pessoas participaram em mais de 170 manifestações, reivindicando aumentos salariais, melhoria das carreiras profissionais e investimento nos serviços públicos.
Também na Alemanha, registaram-se nas últimas semanas protestos massivos. Em 21 de Setembro, mais de 170 mil trabalhadores participaram nos protestos liderados pelo sindicato IG Metall em quase 300 locais da indústria automóvel. Quatro dias depois, 45 mil estudantes manifestaram-se contra o governo e os seus planos de reintroduzir o serviço militar obrigatório para que os jovens sirvam de carne para canhão nas guerras da NATO. No dia seguinte, 175 mil trabalhadores protestaram nas ruas, em 15 cidades alemãs, contra a ameaça de cortes na saúde, nas pensões, nos cuidados de longa duração e contra os planos de extensão da jornada de trabalho, desviando verbas desses sectores para fabricantes de armas.
Mobilizações em que o movimento pela paz, de solidariedade com a Palestina – que continuam alvo da repressão do governo Merz –, os comunistas e outras organizações de esquerda e anti-belicistas tiveram grande participação.
Em Espanha, após a rejeição no Congresso dos Deputados, pela direita e extrema-direita – PP, VOX e Junts – de dois decretos-lei (conhecidos como «decretos Maricarmen») com medidas urgentes para garantir o direito à habitação, limitar a especulação dos fundos abutre e aprovar uma moratória dos despejos, continuam as amplas mobilizações populares de protesto em mais de 50 cidades pelo direito à habitação.
Entretanto, o governo voltou a aprovar novos decretos de habitação com acrescidas medidas que alargam as restrições aos fundos abutre, reforçam a protecção contra despejos e mobilizam 10 mil milhões de euros para facilitar o acesso a casa própria.
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou, entretanto, a antecipação das eleições gerais para 29 de Novembro próximo. A entrega de candidaturas deverá efectuar-se entre 21 e 26 de oOutubro, sendo que a campanha eleitoral terá início a 13 de novembro.
As centrais sindicais Comisiones Obreras (CCOO) e União Geral de Trabalhadores (UGT) acordaram em convocar uma greve geral de 24 horas com o objectivo de reivindicar melhores salários e o direito à habitação.




