- Nº 2758 (2026/10/8)
A situação internacional continua marcada pelo agravamento da estratégia de confrontação do imperialismo, nomeadamente com a criação de um clima de instigação da guerra na Europa, a continuação do genocídio por Israel em Gaza e novas acções provocatórias na Cisjordânia, o acentuar da retórica intervencionista dos EUA em relação a Cuba e as pressões e ingerência nas eleições no Brasil cuja primeira volta se realizou no domingo passado. O PCP saúda com confiança a candidatura de Lula da Silva e as forças democráticas e progressistas brasileiras que, com convicção, se empenham e convergem com vista à vitória desta candidatura – que é portadora da esperança no caminho da luta para uma vida melhor, de soberania, liberdade, democracia, desenvolvimento, justiça e progresso social, de segurança e paz, a que os trabalhadores e o povo brasileiro aspiram e têm direito – na segunda volta destas eleições, que terá lugar a 25 de Outubro.
É neste quadro que o Governo PSD/CDS, submisso às imposições da UE e do imperialismo, investe avultadas verbas no apoio à guerra e na corrida aos armamentos – verbas que fazem falta para aumentar os salários e as pensões, para o reforço do SNS e da Escola Pública, para a resolução do problema do acesso à habitação.
Ao mesmo tempo, continua a promover uma política que favorece o capital monopolista, deixando intocáveis os seus lucros sumptuosos resultantes do aproveitamento da situação internacional, da especulação dos preços e da exploração, em contraste com as dificuldades e o empobrecimento de grande parte dos portugueses. Prossegue também com o processo de privatização da TAP (que quer concluir até ao final do ano), com o desmantelamento da CP, visando a entrega das suas linhas mais rentáveis ao capital estrangeiro e prepara-se para destruir a Segurança Social pública e assaltar os seus fundos.
Face ao brutal aumento do custo de vida, alguns partidos (PS, PSD, CDS, Chega e IL) apontam como solução a redução dos impostos, tentando, assim, desviar as atenções dos lucros extraordinários dos grupos económicos.
Ora, como lembrou o PCP nas Jornadas Parlamentares da semana passada, subordinadas ao tema «crianças e pais com direitos» e orientadas pelo objectivo de colocar os direitos dos pais e das crianças no centro da acção política, com tudo o que isso implica no presente e no futuro do País, os direitos dos pais, são direitos das crianças e tudo o que ataque os pais afecta sempre as crianças. Rede publica de creches e reforço do pré-escolar, comparticipação a 100% em óculos, aparelhos e tratamentos dentários, material ortopédico, a requalificação dos espaços escolares para as crianças brincarem, o reforço do Sistema Nacional de Intervenção Precoce Infantil, constituem quatro iniciativas que o PCP vai levar por diante e que são inseparáveis dos direitos dos seus pais,desde logo à valorizaçãodos salários e das pensões, à redução e regulação dos horários de trabalho, à criação de condições de acesso à habitação, à saúde e o combate ao aumento do custo devida.
Nesta situação, impõe-se desenvolver a luta, apontando para uma grande participação na manifestação que a CGTP-IN promove a 17 de Outubro em Lisboa, Porto e Coimbra.
De facto, há muitas razões para intensificar a luta organizada, como se viu nas lutas recentemente ocorridas, nomeadamente, dos trabalhadores das carreiras gerais da administração pública (greve e manifestação), dos professores (manifestação), dos trabalhadores da AIMA (greve), a acção da Inter-Reformados da CGTP-IN, tal como a VIII Conferência Nacional dos baldios, entre muitas outras.
Importa, agora, mobilizar todos estes sectores com as suas reivindicações e descontentamentos para a manifestação nacional de 17 de Outubro, para que ela possa ser uma acção convergente com força para impor as soluções e mudanças que os problemas exigem.
Por outro lado, a situação internacional exige a mobilização dos povos contra a guerra, em defesa da paz, e uma forte expressão de solidariedade com os povos que são vítimas da acção agressiva do imperialismo. Nesse sentido, revela-se particularmente importante a manifestação do dia 10 (sábado), em Lisboa, de solidariedade com a Palestina, e impõe-se o prosseguimento da acção e iniciativa de solidariedade com Cuba e a continuação da denúncia das causas da guerra e a afirmação da paz.
É necessário também dinamizar a intervenção do PCP, afirmar os seus objectivos, o seu projecto e ideal, as soluções concretas que tem para os problemas e, de modo particular, a sua proposta de política alternativa, patriótica e de esquerda, exigindo a ruptura com a política de direita, condição fundamental para assegurar uma mudança de rumo na política nacional, que projecte os valores de Abril na acção política e abra um novo rumo para Portugal.
E, claro, para tal, é essencial reforçar o PCP e concretizar as prioridades apontadas na resolução «Um PCP mais forte. É preciso! É possível!».