- Nº 2757 (2026/10/1)

Nos 56 anos da CGTP-IN, lutar pelas reivindicações dos trabalhadores

Argumentos

No dia em que esta edição do Avante! chega às mãos dos seus leitores, milhares de trabalhadores de todos os sectores de actividade, acompanhados pelos seus representantes eleitos – dirigentes, delegados e activistas sindicais –, ao mesmo tempo que dão continuidade à luta pelas suas reivindicações imediatas e preparam a participação na grande jornada nacional de luta marcada para 17 de Outubro, assinalam o 56.º aniversário da sua organização sindical de classe, a CGTP-Intersindical Nacional.

No dia 1 de Outubro de 1970, aproveitando as condições criadas pela longa luta das massas trabalhadoras contra o fascismo, a exploração e a opressão, quatro sindicatos – Caixeiros, Lanifícios, Metalúrgicos e Bancários – emitiram a convocatória para a primeira reunião Intersindical, que se realizou a 11 de Outubro, com a presença de 14 sindicatos, onde se discutiu contratação colectiva, horário de trabalho, censura e liberdade de reunião. Foi a primeira de muitas reuniões que consolidaram a Intersindical como organização de classe, impulsionadora da luta heróica das massas trabalhadoras por melhores condições de vida e de trabalho, pela liberdade e a democracia. Ali se forjaram os princípios que caracterizam a CGTP-IN como organização sindical unitária, independente, democrática, solidária, de massas e de classe.

Com o nascimento da Intersindical, centenas de milhares de trabalhadores encontraram na organização colectiva a força e a confiança necessárias para se unirem e lutarem em defesa dos seus interesses. Quando eclodiu a Revolução de Abril, milhares de trabalhadores estavam em greve, paralisando sobretudo grandes empresas industriais.

Todas estas razões legitimam a CGTP-IN como organização de classe simultaneamente obreira e produto da longa luta da classe operária e dos lutadores antifascistas que tornaram possível a Revolução de Abril de 1974 e, com ela, as liberdades políticas e sindicais e o conjunto de direitos que enformam o regime democrático de que os trabalhadores e a sociedade portuguesa passaram a usufruir. A contratação colectiva e o salário mínimo nacional, as férias pagas e o subsídio de Natal, a liberdade de organização sindical e a protecção social, o ensino público e gratuito, o acesso aos cuidados de saúde e a melhoria significativa da qualidade e das condições de vida – são, entre outras, algumas das conquistas que têm a marca indelével do movimento sindical de classe protagonizado pela CGTP-IN, numa acção que moldou o Portugal democrático e consagrou o direito ao trabalho com direitos como pilar fundamental da liberdade nascida com a Revolução, consagrado na Constituição da República.

Comemorar lutando
Passados 56 anos da sua fundação e 52 sobre a Revolução de Abril, a CGTP-IN e toda a sua estrutura, constituída por sindicatos representativos de todos os sectores e dezenas de milhares de dirigentes, delegados e activistas, continua a ser a organização de classe em que milhões de trabalhadores, incluindo os não sindicalizados, confiam para os representar e organizar a luta pela defesa dos direitos individuais e colectivos, da Constituição da República e do regime democrático de Abril, como ficou demonstrado com a participação nas greves gerais de Dezembro de 2025 e Junho de 2026, que contribuíram decisivamente para a derrota do famigerado pacote laboral do Governo PSD/ Montenegro.

Os tempos que vivemos colocam novos desafios aos trabalhadores. Mas o exemplo que podemos colher do percurso da CGTP-IN é que, com organização, persistência, determinação e luta é possível alcançar aquilo que à partida pode parecer impossível. A conquista das 40 horas semanais, a reposição de salários e direitos roubados durante o período da troika (designadamente a reposição das 35 horas na Administração Pública), a derrota de vários pacotes laborais e do governo PSD/Passos Coelho em 2015, a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores, a que não são alheias as 12 greves gerais realizadas desde o 25 de Abril, constituem motivos de confiança para a conquista de um futuro melhor – um futuro que tem de ser conquistado pelas nossas mãos.

Nunca esquecer que a melhor forma de valorizar o percurso da CGTP-IN ao longo destes 56 anos e homenagear os seus construtores é dar força à concretização das decisões aprovadas pelos seus órgãos dirigentes, participando na grande manifestação nacional de dia 17 e, naturalmente, prosseguindo nas empresas e nos sectores a luta pela conquista das reivindicações dos trabalhadores.

João Silva