Merz, neoliberalismo e militarismo
As despesas militares alemãs não param de crescer
O Governo CDU/CSU/SPD anuncia o aumento das despesas militares da Alemanha para cerca 140 mil milhões de euros em 2027, um colossal aumento que se insere no recrudescimento do militarismo (revanchista) alemão e na sua política de escalada armamentista e de guerra, cumprindo de forma subserviente o desígnio ditado pelos EUA no âmbito da NATO. O aumento das despesas militares na Alemanha é acompanhado do ataque a direitos laborais e sociais, incluindo contra a Segurança Social. Recorde-se as palavras do chanceler Merz – que dirige um governo de direita em conjunto com a “social-democracia” apologista do neoliberalismo, do militarismo e da guerra –, proclamando que a Alemanha não tem a possibilidade de sustentar como antes o “Estado Social”, ameaçando áreas como os cuidados de saúde, as pensões, os subsídios de desemprego ou os apoios à habitação e às famílias. Os armamentos e a guerra assim o exigem: as despesas militares da Alemanha totalizaram cerca de 62,4 mil milhões em 2025, 82,7 mil milhões em 2026 e totalizarão cerca de 110 mil milhões em 2027, que com o fundo especial para as Forças Armadas alemãs totalizarão quase 140 mil milhões de euros.
Para tal, os apologistas da escalada belicista intensificam a propaganda de guerra, acenam com falsas ameaças e criam uma permanente sensação de insegurança, que utilizam como pretexto para continuar a promover e a agravar a sua política de confrontação e de guerra. O processo de militarização da economia da Alemanha continua a aprofundar-se e sem quaisquer escrúpulos. Seguindo os passos da Rheinmetall, a maior empresa militar alemã, e depois de anunciar a intenção de despedir cerca de 100 mil trabalhadores, a Volkswagen anuncia que a sua fábrica de automóveis em Osnabrück será convertida para a produção de equipamento militar e adquirida pelo Estado da Baixa Saxónia e a empresa israelita Aurelius Capital, que estabelecerão uma parceria com a Rafael Advanced Defense Systems, uma empresa estatal israelita de produção de armamentos. Repetindo de forma vergonhosa a história, não é a primeira vez que a Volkswagen converte a produção da sua fábrica em Osnabrück de automóveis para armamentos, pois já o havia feito para a Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial, utilizando o trabalho escravo dos prisioneiros nos campos de concentração e de trabalho. Se então serviu a barbárie do nazismo, a Volkswagen e as autoridades alemãs não hesitam em prestar-se a servir os propósitos do regime sionista de Israel, responsável pela barbárie nos territórios palestinianos ilegalmente ocupados.
Depois da significativa derrota nas eleições na Saxónia-Anhalt, do fraco alento nas eleições na Baixa Saxónia e das frágeis expectativas para as eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e em Berlim, Merz e o seu governo fazem profissão de fé na sua política neoliberal e militarista, determinados a “continuar no caminho das [ditas] reformas” e advogando que é tudo uma questão de arranjar uma nova e melhor “narrativa” para continuar a ludibriar o povo alemão. Daí a importância das mobilizações populares que estão a ser promovidas na Alemanha, já durante o mês de Setembro e em Outubro, contra a política do governo federal da CDU/CSU/SPD de aumento do custo de vida, de ataque aos direitos sociais e aos serviços públicos, de promoção do militarismo, da escalada armamentista e de guerra, de imposição do serviço militar obrigatório, de ataque à democracia.




