- Nº 2755 (2026/09/17)

A Festa continua e a luta também

Opinião

Em 1976 foi à bomba que tentaram impedir a sua realização. Contudo, a Festa do Avante! fez-se e a FIL foi demasiado pequena para acolher tanta e tanta gente!

De então para cá tentaram de tudo para impedir a realização da Festa e diminuir o seu enorme impacto em Portugal e no mundo. Obrigaram-nos a andar com a casa às costas: da FIL para o Vale do Jamor, depois para o Alto da Ajuda e para Loures. Foi um longo e penoso percurso até termos chão nosso na Quinta da Atalaia, a que se juntou mais tarde a Quinta do Cabo, ambas adquiridas com a contribuição de milhares de comunistas e democratas. Foi um rude golpe nos inimigos da Festa e do PCP.

Mas eles não desistiram. Se a criação de dificuldades para a realização da Festa deixou de existir, se não se podia acabar com ela, havia que tudo fazer para a denegrir e para minimizar ao máximo o seu sucesso ano após ano. Os avençados do capital desdobram-se a cada ano para fazer de conta que a Festa não existe, depois mostrando ou falando dela omitindo a sua real dimensão, juntando-lhe invariavelmente um “caso”, um “acontecimento”, um “episódio” para, dessa forma, alimentarem a sua veia anticomunista.

Percebe-se a frustração dessa gente. É que os anos passam e já rareiam argumentos inovadores. É o património, são as contas, as facturas, os impostos, os terroristas… E, para azar deles e de quem lhes paga, a Festa cresce e renova-se. Ano após ano! E já são cinquenta!

Abrir caminhos

Uma verdadeira pedrada no charco, coisa nunca vista no Portugal acabado de se libertar da ditadura fascista, a Festa abriu caminhos para a democratização da cultura, para a proliferação de eventos de diverso tipo, para a multiplicação de festivais.

Da panóplia de eventos que se realizam pelo País nenhum se pode comparar à Festa do Avante!. A Festa é diferente pela sua dimensão, pela diversidade dos seus conteúdos e dos públicos que dela usufruem, mas também pelo ambiente de amizade, confraternização, convívio e solidariedade que nela se respira. É por isso que não há mesmo Festa como esta!

Uma Festa – que é uma enorme construção colectiva – só possível de realizar porque existe o PCP, a sua capacidade de organização e a mobilização de milhares de militantes do Partido e da JCP, que conta ainda com a colaboração e o empenho de muitos simpatizantes e amigos da Festa.

O segredo não está na Festa, mas no Partido que a concebeu e organiza. Um Partido que enfrenta as adversidades ancorado na sua história de resistência e de luta, nos seus princípios, na coerência da sua acção e intervenção, que afirma os valores de Abril, da liberdade, da democracia e do socialismo. Um Partido solidário com a luta dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo. Um Partido que não se rende, um Partido que não se vende!

Sucesso a valorizar

Num momento em que a ideologia dominante promove o individualismo, a ignorância, o preconceito, o ódio, a indiferença, o enorme sucesso e a grandiosa dimensão da Festa do Avante! merece ser ainda mais valorizado. Sucesso – que uma vez mais tudo fizeram para esconder e minimizar – que representa um estímulo para enfrentarmos as tarefas que temos pela frente, para o indispensável reforço da organização, da acção e intervenção do PCP, condição fundamental para prosseguirmos e intensificarmos a luta contra a política de direita do governo do PSD e do CDS, com o apoio do Chega e da IL.

A Festa e a luta continuam!

 

Octávio Augusto