Mobilização e luta contra as injustiças - saúde e habitação, melhores salários, preços controlados!
“Romper com as injustiças. Novo rumo. Uma vida melhor” é o lema da jornada nacional de esclarecimento e mobilização que o PCP inicia hoje em todo o País, com um dia de protesto contra o agravamento do custo de vida, pelo aumento de salários e pensões e o controlo de preços. Haverá tribunas públicas, distribuições, buzinões e outras acções.
Os lucros do grande capital aumentam à custa das condições de vida da maioria e da economia nacional
A realização da acção foi anunciada no dia 10 por Vasco Cardoso, da Comissão Política, numa declaração à comunicação social sobre as decisões do BCE, o aumento do custo de vida e as opções do Governo. A jornada será suportada por cartazes e folhetos denunciando as injustiças patentes desde logo no contraste gritante entre os lucros milionários alcançados pelos grupos económicos dos principais sectores (energia, combustíveis, banca, grande distribuição alimentar) e os baixos salários e pensões que afectam a maioria dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas em Portugal.
Nas acções a realizar será afirmada a necessidade – e a possibilidade – de um outro rumo para o País, assente em «Saúde e habitação, melhores salários, preços controlados». O objectivo é transformar em protesto, reivindicação e luta a indignação e revolta já hoje sentidas por muitos face ao agravamento constante do custo de vida, revelou Vasco Cardoso. Já no grandioso comício da Festa do Avante!, o Secretário-Geral do PCP tinha lançado um desafio a todos os que sofrem a exploração e as injustiças: «respondam com o vosso inconformismo, com a vossa alegria, com a vossa audácia, com a vossa criatividade, força e energia. (…) Respondam na luta de todos os dias».
«É a guerra e a indústria do armamento, é escalada de confrontação e a multiplicação de sanções, é o aproveitamento dos grupos económicos e a especulação, é a política do Governo e da UE que são responsáveis pelo aumento dos preços e pela degradação das condições de vida», denunciou o dirigente comunista. Não pode ser o povo a pagar!
O PCP, garantiu ainda Vasco Cardoso, «tudo fará para travar o caminho de retrocesso e exploração, para promover a luta pelos salários, pelos direitos, pela melhoria das condições de vida, para defender a paz, a democracia e o progresso social».
Paulo Raimundo estará hoje de manhã no Cais do Sodré, em Lisboa, a contactar com a população naquela que será uma das iniciativas inseridas na acção, que terá expressão em todo o País (ver Agenda nas páginas 30 e 31).
“Nem a degradação da situação económica e social é inevitável, nem Portugal e o povo português têm que ser arrastados para o fundo. Os lucros de meia dúzia de capitalistas não podem valer mais que a vida de milhões de pessoas. A indignação e revolta que muitos sentem, face ao aperto que estão a sentir, precisa de ser ouvida ainda com mais força. É preciso intensificar a luta contra a actual política, exigindo a ruptura com a política de direita e um novo rumo para Portugal.”
Vasco Cardoso
Taxas de juro sobem e com elas as prestações – e os lucros da banca! Perdem os de sempre
«Num momento em que os lucros da banca, dos grupos económicos que controlam a energia ou a grande distribuição atingem recordes históricos, em que a concentração da riqueza a uma escala nacional e global atinge patamares nunca vistos, o Banco Central Europeu decide provocar um aumento de 25 pontos base na taxa de juro de referência, elevando-a para 2,5 por cento, com os impactos que essa decisão tem no custo do crédito para as empresas, para os particulares e para as famílias, sobretudo as que têm empréstimos para a compra de casa», denunciou Vasco Cardoso na declaração que proferiu no dia 10.
A decisão do BCE, garante, «penaliza, como sempre faz, os trabalhadores e as suas famílias, pelos impactos de uma guerra que, seja no Médio Oriente seja na Europa de Leste, é alimentada pelas próprias instituições da União Europeia». Serão, assim, os trabalhadores e os povos a pagar as opções da escalada de confrontação do imperialismo norte-americano promove (com o apoio da UE, do Governo PSD/CDS e dos que se alinham com os tambores da guerra).
No Parlamento Europeu, João Oliveira, deputado do PCP, propôs a realização de um debate sobre o aumento das taxas de juro decidida pelo BCE – que, lê-se num comunicado do seu Gabinete, «repete a opção de proteger os lucros da banca, de promover a contenção salarial e de castigar os trabalhadores, as populações e a generalidade da actividade económica».
Em 2025, os lucros da banca que actua em Portugal superaram os 6,3 mil milhões de euros e no primeiro semestre de 2026 já ascendem a 2,52 mil milhões de euros
Estes valores contrastam com a degradação das condições de vida e do poder de compra dos trabalhadores e da população
Lucros escandalosos de poucos à custa das condições de vida do povo e da economia nacional
Por detrás do aumento do preço dos combustíveis estão os lucros das maiores empresas petrolíferas do mundo, cada uma acima dos 20 mil milhões de euros só em 2025 – tendência esta verificada também em Portugal. A subida dos preços da alimentação – ovos, leite, carne, frescos – estão igualmente reflectidos nos lucros da grande distribuição alimentar, denunciou Vasco Cardoso.
O que a situação evidencia é precisamente os impactos do domínio monopolista sobre os sectores estratégicos e a forma como impõem comissões, taxas, margens e preços cartelizados, como dominam os mercados de fio a pavio. Trata-se, garante o dirigente comunista, de um «quadro de submissão sem disfarce do poder político ao poder económico, esmagando as pequenas empresas, os agricultores, as famílias e os trabalhadores, sujeitos à precariedade e aos baixos salários».
Daí que reduzir a resposta ao aumento do custo de vida à dimensão fiscal não faz, por si só, baixar os preços. Quanto muito «desvia receita pública para alimentar os lucros dos grupos económicos». Reduzir esta questão aos impostos, como fazem o Chega, a IL ou mesmo o PS, «só serve para esconder do povo os lucros que estão a ser obtidos à custa dos seus sacrifícios», acusa o PCP.
A GALP, que nos últimos três anos obteve mais de 3000 milhões de euros de lucro, já arrecadou neste 1.º semestre outros 800 milhões de euros
A Jerónimo Martins/Pingo Doce e a Sonae/Continente alcançaram lucros superiores a 1000 milhões de euros
Os lucros dos grupos económicos são ainda aumentados com a escandalosa descida do IRC (de 21 para 17 por cento) que está em curso
PSD, CDS, Chega, IL e PS decidiram entregar mais 5 mil milhões de euros para o negócio da guerra
O PCP propõe
No folheto da acção de esclarecimento e mobilização que hoje se inicia reafirma-se um conjunto de propostas do PCP para fazer face ao aumento do custo de vida, combater as injustiças e reforçar os serviços públicos.
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Recusa pelo Governo da corrida aos armamentos e utilização de todos os instrumentos que tem ao seu alcance para a promoção da paz, em vez da guerra.
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Aumento geral dos salários, incluindo do Salário Mínimo Nacional, e o aumento intercalar de todas as pensões em 50 euros (com retroactivos a partir de Julho).
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Intervenção do Governo e da CGD para impor a redução dos juros e comissões bancárias, associadas a uma política que promova o desendividamento das famílias, a regulação das rendas de casa e a disponibilização de habitação pública.
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Regulação dos preços dos combustíveis (como acontecia antes de 2003); fixação do preço do gás de botija nos 20 euros, pondo fim à diferença escandalosa entre os preços praticados em Portugal e Espanha; IVA a 6 por cento na energia; regulação dos preços dos bens alimentares essenciais.
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Apoios a fundo perdido aos sectores económicos mais atingidos pelo aumento dos preços dos combustíveis e gás – transportes, indústria, pesca, bombeiros – e também dos preços dos fertilizantes com forte impacto na agricultura (a par do gasóleo).
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Investir nos serviços públicos, fixar profissionais no Serviço Nacional de Saúde e na Escola Pública.
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Assegurar uma rede pública de creches e vaga na rede pública de pré-escolar, assegurar fichas escolares gratuitas.




