- Nº 2754 (2026/09/10)
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, dirigiu os actos comemorativos do Dia da Independência, 7 de Setembro, em Brasília, onde reafirmou a soberania nacional e rejeitou a ingerência estrangeira nas decisões económicas do país.
As declarações de Lula da Silva constituem uma resposta à ingerência e medidas coercivas da administração norte-americana, presidida por Trump, que impôs novas tarifas aduaneiras até 37,5% a produtos brasileiros.
«Nenhum país estrangeiro tem o direito a dizer-nos de quem podemos comprar e para quem podemos vender. Somos um país soberano e as nossas decisões pertencem-nos e a ninguém mais», acentuou Lula da Silva, sublinhando que o país sul-americano não aceitará imposições nem dinâmicas de subordinação colonial.
O programa de governo apresentado pelo Partido dos Trabalhadores, que apoia a recandidatura de Lula, tendo em vista as eleições de Outubro no Brasil, incorpora o eixo “Defendendo a soberania e o protagonismo internacional do Brasil”, que propõe um caminho de consolidação da autonomia tecnológica, diplomática e económica do país.
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que também apoia a recandidatura do actual presidente, aponta como uma das prioridades a defesa da soberania e o desenvolvimento do Brasil.
«México não é nem será colónia de nenhum país»
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou no dia 7 que o México não é nem será colónia nem protectorado de nenhum país estrangeiro. A afirmação surgiu depois de o presidente dos EUA, Trump, ter publicado nas suas redes sociais uma imagem com um mapa em que o México, o Canadá, a Gronelândia, a Islândia e algumas ilhas das Caraíbas aparecem cobertos com as cores da bandeira dos EUA.
A resposta da chefe do México fi dada durante a realização do “Mês da Pátria”, em que se realizam actos comemorativos da independência do México.
Sheinbaum reiterou que o México é orgulhosamente um país livre, independente e soberano, face às reiteradas provocações e pretensões anexionista de Trump, que também publicou na sua rede social um mapa em que denomina o Golfo do México como «Golfo da América». Recorde-se que em 2025, Trump emitiu uma ordem executiva para designar o Golfo do México por “Golfo da América”.
O presidente norte-americano divulgou outra imagem, do Estado do Novo México, em que riscou a segunda palavra e escreveu «América». Essa imagem, partilhada também pela Casa Branca, surgiu dias depois de Trump assinar uma ordem executiva para designar o Lago Ontário, um dos cinco grandes lagos na fronteira entre os EUA e o Canadá, como «Lago América».
O governo mexicano mencionou em diferentes ocasiões a existência de colaboração com Washington em diversas áreas, mas deixou claro que a soberania do país não é negociável e que os dois países, México e EUA, devem cooperar, mas sem qualquer subordinação. Recentemente, Trump sugeriu também que o Estreito de Ormuz deveria chamar-se “Estreito de Trump”.