Uma Festa imensa, afirmação de confiança num futuro melhor

“É clara a agenda do Governo e os seus objectivos de um programa de retrocesso”

A Festa do Avante! – maior festa política e cultural do Portugal de Abril – teve este ano um elemento de redobrada centralidade: a sua quinquagésima edição. Cinquenta edições depois, uma imensa Festa confirmou inteiramente as palavras de Álvaro Cunhal no comício de encerramento da Festa de 1976, quando justamente sublinhou: esta é «a maior, a mais extraordinária a mais entusiástica, a mais fraternal e humana jamais realizada no nosso país».

Na Festa marcou presença o pulsar da vida de um País e em que a solidariedade internacionalista se afirmou, como em todas as anteriores edições, como elemento incontornável e de que se devem destacar os momentos de solidariedade com Cuba socialista e a sua heróica afirmação de soberania face ao criminoso bloqueio do EUA – em que a mensagem de Diaz-Canel aos participantes da Festa e ao povo português teve particular significado – e com a luta do povo palestiniano pelos seus direitos nacionais e contra o genocídio sionista do regime terrorista de Israel. Com um amplo programa, as exposições gerais e temáticas, em particular as presentes no Espaço Central e na Cidade Internacional, assume particular relevância o comício de domingo em que os muitos milhares de participantes reafirmaram com entusiasmo a confiança e determinação de prosseguir a luta por um Portugal com futuro. Na Festa marcaram presença de forma impressiva os principais problemas que afectam a vida dos trabalhadores e do povo, a denúncia da acção do Governo, a exigência de ruptura e alternativa capaz de dar resposta aos problemas nacionais e afirmar um novo rumo para Portugal.

É clara a agenda do Governo e os seus objectivos de um programa de retrocesso que avoluma dificuldades e injustiças e aliena a soberania. Uma agenda retrógrada, reaccionária e antidemocrática que partilha com Chega e IL por mais jogos e fabricadas discordâncias que promovam entre si. A encenação que em si constituiu a apresentação de uma suposta censura ao Governo pelo Chega não passa de um número de malabarismo político. Sendo verdade que os factos que envolvem o ministro da Administração Interna exigem esclarecimentos que até ao momento não foram dados, o que fica claro é que não são esclarecimentos que importam àquele partido. A iniciativa do Chega serve mais para disfarçar a sua convergência com a política do Governo do que para a combater.

A situação política, económica e social tem-se vindo a degradar aceleradamente e a responsabilidade é do Governo, da sua política e daqueles que a apoiam e viabilizam, incluindo quem agora simula censurá-lo. O Governo e sua política merecem censura, oposição, combate. Uma política que é responsável pelo agravamento das condições de vida, pela degradação dos serviços públicos, pelas crescentes dificuldades no acesso à habitação, que pretende prosseguir a privatização de empresas e sectores estratégicos da economia, uma política de favorecimento dos grupos económicos. Políticas que correspondem ao posicionamento político e ideológico do partido Chega, e que esta manobra não anula.

Como o Secretário-Geral fez questão de sublinhar na sua intervenção no comício da Festa o que o Governo tem em curso não é já e só o prolongamento da política de direita e das opções que lhe são inerentes prosseguida ao longo de décadas por sucessivos governos. O que temos em presença é uma ofensiva global, um aberto confronto de classes entre os que, ao serviço de uma minoria, querem concluir o processo contra-revolucionário em curso e os que assumem como projecto os valores de Abril e a defesa de quem trabalha, de quem trabalhou uma vida inteira, da juventude, do País. A esta ofensiva global, é preciso erguer uma resposta global capaz de a enfrentar e derrotar. Uma resposta que exige a mobilização de todas as forças para lhe resistir, que exige a convocação de todos que não se conformam com este plano de retrocesso, que exige que não se prescinda de meios e instrumentos, desde logo a luta de massas, para interromper esta política e a acção deste Governo.

O reforço do PCP, da sua influência, da sua iniciativa e organização assume, como sempre, um papel crucial nesse combate à política de direita e na criação de condições para dar corpo à ruptura com esta política e abrir caminho à alternativa. Um papel que não se faz isoladamente, requer a convocação de democratas e patriotas, a ampliação da frente social de luta, a começar pela luta decisiva dos trabalhadores, mas que não prescinde como condição essencial para ter êxito da clareza do projecto e dos objectivos de luta do PCP. Esse papel insubstituível que a Festa do Avante!, com a confiança e determinação que ali marcaram presença, confirmou plenamente.