- Nº 2753 (2026/09/3)
Apesar da forte resistência dos países e povos que tenta submeter e de crescente oposição no plano interno, a ofensiva agressiva dos EUA e de outras potências imperialistas não dá sinais de retroceder. A corrida aos armamentos e o perigo de escalada de situações de conflito para patamares ainda mais sangrentos e destruidores não cessam de aumentar. Da América Latina ao Pacífico, passando pela Europa e o Médio Oriente, a irresponsabilidade e o aventureirismo parece terem tomado conta da classe dominante, não apenas nos EUA, o principal responsável pelo perigoso rumo da situação internacional, mas também, em posição subordinada na Europa, da NATO e da União Europeia. Foi o que se viu uma vez mais no foguetório das chamadas “comemorações do 35.º aniversário da independência da Ucrânia”. Num momento em que cresce o número de vítimas civis e o conflito ameaça alastrar para patamares ainda mais perigosos, não só não se ouviu nada de sério em favor de uma solução política como continuaram a lançar-se achas para a fogueira da guerra com o anúncio de mais apoios financeiros, mais e mais sofisticado armamento, ainda maior envolvimento no plano operacional. Embora traduzindo evidentes limitações, lá se realizou mais uma encenação da dita “coligação de vontades” capitaneada pela Grã-Bretanha, França e Alemanha. Não faltou sequer o socorro a um poder fascizante e racista em crise, atolado na corrupção, com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a dar os parabéns a Zelensky «pelo que está a fazer para cumprir os critérios de adesão à União Europeia».
É urgente inverter este caminho para o abismo e para isso é indispensável não esquecer a teia de acontecimentos que conduziu a uma guerra que, como sempre afirmou o PCP, podia e devia ter sido evitada. Só nessa base será possível encontrar a necessária solução política do conflito e alcançar uma paz justa e duradoura no continente europeu. A deriva militarista das grandes potências da UE é conduzida brandindo o espantalho da “ameaça russa”, quando a verdade é estarmos perante uma guerra por procuração dos EUA e da NATO contra a Rússia inscrita na estratégia de domínio planetário do imperialismo norte-americano a que a UE se submete. É necessário não esquecer a cavalgada da NATO para Leste que se sucedeu ao desaparecimento da União Soviética. A garantia dada pelos EUA nas negociações sobre a entrada da Alemanha na NATO de que esta “não se estenderá para leste nem uma polegada mais” confirmou-se como pura hipocrisia. A NATO reforçou-se e expandiu-se constantemente. Todos os alertas e propostas orientadas para acordos sobre segurança europeia e a garantia da neutralidade da Ucrânia foram ignorados e, como corajosamente afirmou o Papa Francisco, a NATO foi ladrar às portas da Rússia (não sic). Neste caminho, há que destacar o papel do golpe da Praça Maidan que em 2014 levou ao poder forças abertamente fascistas e russófobas, um poder que continua a ser cinicamente apresentado como estando na primeira linha da defesa da liberdade e da segurança da Europa.
No duro combate pela verdade que os fautores da guerra nos impõe, isto é o mínimo que importa não esquecer e para tanto o livro “Este é o tempo dos monstros – apontamentos para tentar compreender a guerra na Ucrânia” é um oportuno e precioso auxiliar de memória.