- Nº 2753 (2026/09/3)
Se a vida de todos os dias fosse como na Festa do Avante!, o trabalho era valorizado e respeitado como fonte e criação de riqueza, de realização pessoal e de emancipação colectiva. Os trabalhadores veriam as suas capacidades, criatividade e energia colocadas ao serviço de um projecto comum.
Se a vida fosse como a Festa do Avante!, existiria um espaço de liberdade, de debate e esclarecimento, de aprendizagem, contínua e dialéctica.
A cultura seria integral, património, instrumento e actividade do povo. Ir a um espectáculo ou a uma exposição não seria um acto de pagar e consumir, mas de participar e transformar. A cultura popular seria valorizada, expressa na música, na gastronomia, nas tradições e na língua, com saudável orgulho e genuína abertura às novas gerações e aos outros.
As cidades seriam construídas a pensar nas crianças, com espaços verdes e seguros para brincar e aprender. Os adolescentes poderiam experimentar a liberdade de crescer e de conhecer um mundo novo. Haveria confiança nas capacidades, na experiência, na criatividade dos novos e dos velhos, da juventude e dos idosos, respeitando as diferenças que todas as fases da vida têm.
Conviver, conversar, conhecer seria o natural, sem promover preconceitos, bolhas e estereótipos. Com respeito e curiosidade pelas diferenças que inevitavelmente todos os seres humanos têm.
Se a vida fosse como a Festa do Avante!, a solidariedade e a paz seriam os princípios mais básicos do relacionamento entre países, povos e culturas.
A Festa do Avante! não é uma suspensão da vida normal. São três dias em que se mostra e experimenta o que pode ser uma sociedade e um país de participação e cultura, de Abril e do trabalho. Imaginar como Portugal seria se fosse como a Festa não é um exercício rigoroso, porque a escala, as forças, a complexidade, são completamente diferentes. Mas abre as portas à confiança de que sim, podemos mesmo transformar a vida, a sociedade e o mundo.
Não é candura nem romantismo. É projecto e confiança nos trabalhadores, no povo, na juventude. A Festa do Avante é indissociável do projecto do PCP, do seu colectivo partidário, da sua capacidade de iniciativa, organização e concretização. A Festa do Avante! é indissociável do povo português, de quem cá vive e trabalha, da sua cultura, da sua história, da sua realidade e da sua luta.
A Festa do Avante! reflecte o País e o povo que somos. Um país que tem problemas e potencialidades, um povo que resiste e luta. A Festa do Avante! tem impacto em quem nela participa e tem impacto no País. É pensar no comício do ano passado, a primeira grande acção de massas da luta que derrotou o pacote laboral do Governo e dos patrões. É pensar nos gigantescos momentos de solidariedade e luta pela paz que as festas assumiram nos últimos 50 anos, de Timor à África do Sul, de Cuba à Palestina. A luta transforma. Transforma a realidade e transforma quem luta. E a Festa do Avante! também é luta.
A Festa do Avante! não é perfeita. Quem estiver atento verá que todos os que a constroem e fazem funcionar tomam notas, às vezes só mentais, de como para o ano se corrigirá e fará melhor. E é essa construção colectiva, essa vontade de aperfeiçoar, que faz com que a cada ano a Festa seja sempre nova.
Voltando à maravilhosa e provocadora pergunta do título, de autoria da JCP: a vida também já é como a Festa do Avante!. Os valores que nela se expressam, a confiança em Abril, nos trabalhadores e no povo, a capacidade de viver com solidariedade e em paz, de valorizar o trabalho, de com unidade e luta transformar a realidade, já cá estão, já existem. Para haver mais Festa na vida de todos os dias é preciso libertar e organizar essas forças, e para isso contam sem dúvida com o PCP.
Boa Festa!