1964 – Nelson Mandela condenado a prisão perpétua

Destacado resistente contra o apartheid, Nelson Mandela era, à data da sua segunda prisão, o principal dirigente do Umkhonto we Siswe (Lança da Nação), braço armado do Congresso Nacional Africano. A opção pela luta armada deu-se em 1962, após a repressão de uma manifestação pacífica ter provocado quase 70 mortos (entre os quais mais de 40 crianças e mulheres) e 180 feridos, naquele que ficou conhecido como o massacre de Sharpeville.

Preso pelas forças do apartheid, a partir de informações prestadas pelos EUA, Nelson Mandela foi condenado a prisão perpétua em 1964: passou 18 anos em Robben Island, sujeito a severas condições prisionais e a trabalhos forçados; foi transferido para Pollsmoor em 1982 e mais tarde para a prisão de Victor Verster. Em várias ocasiões recusou a libertação antecipada em troca da renúncia à luta armada. A Assembleia Geral das Nações Unidas exigiu várias vezes a sua libertação: em 1987, EUA, Reino Unido e Portugal votaram contra uma resolução com essa mesma exigência.

A luta corajosa dos sul-africanos e a forte pressão internacional conduziram ao fim do apartheid: Nelson Mandela foi libertado a 11 de Fevereiro de 1990, após cumprir 27 anos de prisão. Em 1994 tomou posse como Presidente da República da África do Sul, figurando na lista de “terroristas” dos EUA até 2008, cinco anos antes de morrer, aos 95 anos.