- Nº 2753 (2026/09/3)

Islandeses rejeitaram negociações com UE

Internacional

O povo islandês votou maioritariamente, em referendo, contra a reabertura de negociações de adesão da Islândia à União Europeia (UE), resultado que representa igualmente uma clara derrota para Bruxelas. A rejeição deve impossibilitar nova discussão sobre a adesão da Islândia.

O povo islandês rejeitou a reabertura das negociações de adesão à União Europeia, de acordo com os resultados finais do referendo realizado no sábado, 29 de Agosto. À pergunta «A Islândia deve reabrir as negociações de adesão com a União Europeia?», 52,8% dos islandeses responderam “Não”. Os opositores à retoma das conversações com Bruxelas, interrompidas em 2013, somaram 118.040 votos face aos 105.339 dos partidários do “Sim”.

O actual governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir prometeu respeitar o resultado do referendo, que tem carácter consultivo. Vai agora remeter ao parlamento a questão de uma eventual retirada formal da candidatura da Islândia à UE. O resultado da consulta popular representa um duro golpe para Bruxelas e a rejeição expressa deverá impossibilitar nova discussão sobre uma adesão da Islândia à UE cada vez mais neoliberal, militarista e federalista.

A Islândia apresentou a candidatura à adesão à UE na sequência da crise económica de 2008, que levou ao colapso do sector bancário do país, sobrecarregado pela dívida. Nesse momento, a candidatura não foi levada a referendo. Ao fim de anos de negociações, Reiquiavique enviou em 2015 uma carta a Bruxelas a informar que já não tencionava aderir à União Europeia. Na altura, a economia já tinha recuperado e o apoio público à entrada na UE esmorecera à medida que as negociações iam ficando bloqueadas na questão sensível das pescas.

Agora, 11 anos depois, o povo islandês, que vive numa ilha situada no Atlântico Norte, com 400 mil habitantes, rejeitou reabrir o processo de negociações.

Este referendo estava originalmente previsto para 2027, mas foi precipitado por vários desenvolvimentos na situação internacional, com destaque para a ameaça do presidente dos EUA de tomar pela força a Gronelândia. Este território autónomo associado à Dinamarca, vizinho da Islândia, ganhou uma nova importância num momento em que os EUA, com os seus aliados da NATO, ambicionam controlar o Ártico, rico em minerais raros e onde se perspectivam novas rotas comerciais.

As ameaças de Trump em relação à Gronelândia foram utilizadas por aqueles que pretendiam relançar as negociações com a UE, mas a campanha na Islândia acabou por se centrar sobretudo na defesa da soberania nacional, no controlo dos recursos naturais (em particular a pesca) e no aumento do custo de vida.

Actualmente, a Islândia está associada à UE através da sua participação no Espaço Económico Europeu e também no Espaço Schengen, relações que deverão permanecer inalteradas.