- Nº 2752 (2026/08/27)
A situação económica e social está marcada pelos efeitos do aumento do custo de vida e pela ausência de medidas de valorização salarial e de controlo de preços para lhe fazer face. Na saúde aumentam os tempos de espera e os utentes sem médico de família, sendo que as medidas do Governo confirmam que o objectivo é a desestruturação do Serviço Nacional de Saúde para justificar a entrega de mais serviços à gestão privada. Na educação fez-se pompa com o anúncio de contratações de professores, não esclarecendo que se trata de concursos de mobilidade interna, ou seja, que a manta continuará a ser curta para as necessidades imediatas da escola pública.
Os trabalhadores portugueses foram também confrontados com a apresentação do relatório sobre a Segurança Social que deixa clara a estratégia do Governo: retirar direitos, desresponsabilizar o Estado e abrir caminho à privatização da Segurança Social. O relatório foi feito sob orientações da União Europeia e à medida dos interesses do grande capital, que quer aceder ao dinheiro da Segurança Social e aprofundar um negócio de alto risco para os trabalhadores, por via da promoção dos fundos complementares de pensões e do plafonamento. Um relatório que recorre à mentira e à manipulação dos números, com o objectivo de criar um falso cenário de ruptura, para fomentar o alarmismo e a aceitação da retirada de direitos. Os aspectos tácticos presentes no discurso do Governo PSD/CDS, nomeadamente procurando passar a ideia de que as medidas previstas no relatório não são para aplicar no imediato, não nos devem desviar da necessidade imediata de denunciar objectivos, esclarecer e valorizar a Segurança Social junto dos trabalhadores e preparar a resposta que, à semelhança do que aconteceu com a proposta de pacote laboral, terá que ser de luta.
O Governo anunciou o alargamento do âmbito do “passe ferroviário verde” aos transportes suburbanos de Lisboa e do Porto. Independentemente de vantagens imediatas para uma fracção dos utentes, é uma medida que vai segmentar oferta, reduzir e contrariar a intermodalidade entre os vários meios de transportes conseguida com a criação do passe social intermodal e que não actua no fundamental no aumento da oferta de transporte ao nível nacional.
Foi ainda anunciada a compra pelo Estado português da participação de 13,7% na REN. Trata-se de uma operação financeira, com valor acima da cotação das acções, que não garante a fundamental tomada de posição do Estado numa empresa estratégica nacional como o PCP tem vindo a defender.
O PCP avançou com a apreciação parlamentar da Prestação Social Única denunciando que se trata de mais um passo do Governo PSD/CDS com o apoio da IL e do PS, no ataque ao direito à protecção social, que pelos montantes e critérios adoptados vai deixar de fora muitos cidadãos em situação de grande vulnerabilidade.
É neste quadro que surgiram declarações do PS que abrem para uma eventual viabilização do Orçamento do Estado do Governo PSD/CDS, aprofundando o seu comprometimento com a política de direita e aliviando pressão sobre o Chega e IL.
O Secretário-Geral do PCP tem participado em iniciativas de norte a sul do País. Visitou a Feira do Livro do Porto, onde destacou a necessidade de valorização do livro e da leitura e exigiu mais apoios ao sector. Visitou a FATACIL, em Lagoa, onde sublinhou a importância da valorização da produção nacional e da resposta às dificuldades de quem trabalha. Contactou com pescadores e pequenos armadores no porto de Sesimbra, afirmando que a pesca precisa de investimento e de condições para garantir o futuro. Paulo Raimundo participou ainda em iniciativas do PCP na Póvoa do Varzim, em Olhão e em Fronteira.
São prioridades do trabalho do Partido a iniciativa geral e de cada organização face à situação política e social, a fase decisiva da preparação da Festa do Avante! e o trabalho de reforço do Partido, concretizando a Resolução do Comité Central “Um PCP mais forte. É preciso! É Possível!”. Nesta fase final de preparação da Festa do Avante! impõe-se o alargamento do contacto para fora do Partido na divulgação e na venda da EP e o envolvimento e responsabilização de membros e amigos do Partido na construção e no funcionamento de todos os espaços da Festa.