- Nº 2751 (2026/08/20)

Greve parou Dan Cake para exigir melhores salários e respeito

Trabalhadores

Para valorizar mais justamente o seu trabalho e para fazer face ao aumento do custo de vida, os trabalhadores da Dan Cake reivindicam aumentos salariais além dos dez euros aplicados administrativamente.

No dia 14, sexta-feira, a greve convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB) levou à paragem da produção, como informou a União dos Sindicatos de Lisboa. A estrutura distrital da CGTP-IN assinalou que esta paralisação, por 24 horas, veio dar continuidade à luta desenvolvida, perante a falta de resposta patronal às reivindicações.

Os antecedentes foram dados a conhecer à multinacional franco-holandesa Biscuit International. Numa exposição enviada pelo SINTAB à administração, em Paris, uma semana antes da greve, defende-se que o grupo, além de tomar conhecimento da situação, «intervenha no sentido de garantir que os problemas identificados sejam efectivamente discutidos e resolvidos».

À cabeça, na lista de problemas identificados em plenários e reuniões, desde o início deste ano, é colocada «a necessidade de um aumento digno dos salários, com efeitos retroactivos a Janeiro de 2026, para além dos dez euros aplicados administrativamente».

Para ilustrar o «brutal agravamento das condições de vida e de trabalho» em Portugal, o sindicato assinala que «o salário mínimo nacional em Portugal situa-se actualmente nos 920 euros, enquanto em França ultrapassa os 1800 euros».

«Os trabalhadores são quem cria a riqueza produzida pela empresa e não aceitam aumentos que continuam a manter os seus salários em níveis insuficientes», salienta o SINTAB.

Na análise colectiva da situação social e laboral, os trabalhadores registaram ainda a marcação unilateral de férias, más condições de trabalho e equipamentos desadequados às elevadas temperaturas, não pagamento do subsídio de turno, incumprimento no pagamento do subsídio de doença, penalizações indevidas perante ausências justificadas e «um sistema de avaliação com critérios que a própria empresa não cumpre».

Por iniciativa do sindicato, responsáveis patronais aceitaram reunir-se com representantes dos trabalhadores, mas tiveram para com estes «uma postura jocosa, reveladora de um profundo desrespeito pelas preocupações e reivindicações» que lhes estavam a ser colocadas.

No final de Julho, após mais uma ronda de plenários, o SINTAB solicitou nova reunião, mas não obteve resposta. «Perante esta atitude de desresponsabilização e a ausência de respostas, por parte da Dan Cake em Portugal, os trabalhadores decidiram avançar para a luta», com um dia de greve na unidade situada na Póvoa de Santa Iria (Vila Franca de Xira). Quiseram, desta forma, «afirmar claramente que exigem melhores salários, melhores condições de trabalho e o respeito pelos seus direitos».