Arnaldo Rodríguez y su Talismán levam Cuba à Festa

Sons cubanos e caribenhos e amor por quem lembra que Cuba não está sozinha

Na Festa do Avante!, Arnaldo Rodríguez y su Talismán darão mais do que um concerto de música popular cubana e da Nueva Trova. Será também um momento para demonstrar “gratidão” e “amor” por todos quantos todos os dias se solidarizam com Cuba, o seu povo e a sua Revolução.

A música é, em si mesma, identidade e cultura

Arnaldo Rodríguez surgiu do movimento da “Nueva Trova” e colaborou com Frank Delgado e a Azúcar Band antes de fundar o Talismán, em 2002. Que lições dessa trajectória moldaram a identidade do grupo?

O Talismán é o resultado de todas essas influências e, além disso, das minhas próprias aspirações criativas. É claro que as letras reflectem a qualidade poética característica da “Nueva Trova”, mas a essência do nosso trabalho reside na música popular cubana e caribenha. Somos, na verdade, uma mistura — uma fusão de sonoridades e influências.

O repertório de Arnaldo y su Talismán funde a música popular cubana com sonoridades como pop, rap e música electrónica. De que modo essa linguagem musical evoluiu ao longo de quase um quarto de século de actividade?

Estamos sempre a explorar, a incorporar novas ideias e caminhos musicais, mas fazemos isso com uma maturidade crescente — com mais clareza sobre o que queremos e sobre a essência que nos define.

Para além de gravar álbuns e dar concertos, Arnaldo Rodríguez criou o Festival da Piña Colada e compôs canções ligadas à vida social e política de Cuba. Que papel atribui à música na participação colectiva e na defesa da identidade cultural do país?

Acredito que o desenvolvimento sociocultural de Cuba nas últimas seis décadas fomentou um espírito abrangente e inclusivo com um forte impacto colectivo. As pessoas passaram a “pensar e sentir como nação", para além das aspirações individuais. A cultura não está isenta desta ideia, que é emancipadora e enriquece a maioria através do trabalho comunitário. A música é, em si mesma, identidade e cultura, por isso tem um papel fundamental para mostrar quem somos, as nossas idiossincrasias, os valores que partilhamos enquanto povo, enquanto nação. Como diz uma canção icónica do movimento “Nueva Trova”, «Ai do cantor que nunca soube que fomos a semente e hoje somos esta vida».


De que forma o bloqueio económico imposto pelos
EUA afecta actualmente o trabalho dos músicos cubanos, especificamente em relação ao acesso a instrumentos, equipamentos e plataformas digitais, bem como às viagens internacionais e à obtenção de rendimentos no estrangeiro?

O bloqueio afecta todos os sectores da sociedade cubana. Para os músicos, torna difícil ou impossível o acesso a plataformas e circuitos de promoção e distribuição musical. A prolongada crise energética limita as salas de espectáculos do país e a possibilidade de realizar digressões nacionais.

A política hostil dos EUA afecta significativamente o sistema de educação artística, onde a Revolução garantiu oportunidades para as crianças nos cantos mais remotos do nosso país. Hoje, a disponibilidade de instrumentos nas escolas, bem como de recursos para o estudo e para a vida em geral dos alunos, está a tornar-se cada vez mais complexa. As medidas genocidas do Presidente Donald Trump obrigam o nosso povo a suportar longas horas de apagões e escassez de todo o tipo.

Nós, músicos, fazemos parte deste povo que o bloqueio tenta abafar, mas que estamos determinados a resistir e a defender a nossa soberania a qualquer custo. 

O que estão a preparar para o concerto na Festa do Avante? E o que significa para Arnaldo e o seu Talismán actuarem num evento marcado pela solidariedade a Cuba e pela rejeição do bloqueio?

Trazemos a música do Talismán, os nossos maiores êxitos, bem como temas mais recentes que acrescentámos ao nosso repertório e a música cubana tradicional e popular... Um presente repleto de espírito caribenho, identidade cubana e, acima de tudo, gratidão e amor pelos nossos irmãos e irmãs que nos lembram constantemente que Cuba não está sozinha.

 



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