«O “eu” do último disco é o somatório de toda a minha história»
Voz dos Da Weasel, Carlão é há muito um nome incontornável da música portuguesa e uma presença frequente na Festa do Avante!. Com um novo disco na bagagem, leva ao palco da Festa toda a sua história, a sua carreira e os sons muito diferentes que sempre ouviu e usou na sua música.
Cresci a ouvir e fazer música muito diferente entre si e ainda hoje é assim
O álbum “Quinta-Essência 75/25”, lançado este ano, parece atravessar piano e voz, hip-hop de crítica social e ritmos africanos. O que procurou juntar, ou reconciliar, nessa diversidade formal?
A ideia deste disco, fechado no ano em que festejei o meu quinquagésimo aniversário, foi a de fazer um apanhado, em jeito de retrospectiva, daquilo que são os diferentes aspectos da minha história e carreira musical. Cresci a ouvir e fazer música muito diferente entre si. E ainda hoje é assim.
Desde os Da Weasel até ao trabalho a solo, como sente que mudou a sua escrita sobre a cidade, o País e as desigualdades?
Acho que a minha escrita se tornou menos moralista, acima de tudo. Tento não me excluir – sendo que há casos em que não tenho como não o fazer – da crítica que faço. Talvez tenha perdido algum idealismo também. Infelizmente, a vida torna-nos mais cínicos e desencantados.
O hip-hop perdeu ou ganhou capacidade de confronto político à medida que passou do circuito marginal para o consumo de massas?
Diria que ganhou capacidade, mas perdeu algum interesse nele.
Em Portugal, que questões o inquietam mais hoje: racismo, precariedade, habitação, crescimento da extrema-direita, ou a naturalização de todas elas?
A banalização de todas elas é algo de muito assustador, de facto.
Que Carlão vai subir ao palco da Festa: o do disco novo, o da memória dos Da Weasel, ou uma combinação total dessa história?
O “eu” do último disco é o somatório de toda a minha história. E é com o último disco que subo ao palco.




