Negociação e luta com avanços em empresas cervejeiras
Na Super Bock, em Matosinhos, e na Coceda, em Santarém, os resultados da negociação colectiva, apoiada na organização e na unidade dos trabalhadores, foram valorizados pelo SINTAB, da FESAHT/CGTP-IN.
Com participação, unidade e determinação, é possível obter resultados positivos
Os trabalhadores da Super Bock conquistaram um aumento salarial e abriram caminho para as 35 horas semanais, destacou o sindicato, ao anunciar a aprovação da última proposta patronal para revisão do Acordo Colectivo de Trabalho. Numa nota à comunicação social, emitida na sexta-feira, 31 de Julho, assinala-se que este foi «um processo negocial exigente, que se prolongou durante cerca de nove meses, envolveu 13 reuniões de negociação e cinco plenários de trabalhadores, num grande exemplo de participação democrática, unidade e determinação».
Foi alcançado um aumento salarial de 2,3 por cento, com um mínimo de 75 euros, produzindo efeitos retroactivos a Janeiro, o que assegura «uma valorização significativa dos salários, em particular dos trabalhadores com remunerações mais baixas». Há ainda «um compromisso de valorização salarial para os próximos anos, garantindo a preservação do poder de compra dos trabalhadores».
A redução progressiva do período normal de trabalho até às 35 horas semanais, para todos os trabalhadores da Super Bock, é «uma vitória de grande significado», comprovando que «é possível conciliar melhores condições de vida para os trabalhadores com o desenvolvimento da actividade económica»
Para o SINTAB, «este resultado é, acima de tudo, uma vitória dos trabalhadores da Super Bock», com «a sua participação permanente, o debate colectivo realizado nos plenários, a confiança depositada na Comissão Negociadora Sindical e a disponibilidade demonstrada para prosseguir a luta, caso fosse necessário».
O processo reivindicativo anual dos trabalhadores da Servigaia, colocados na fábrica da Super Bock, terminou com aumentos salariais de 80 euros, para todos, com retroactivos a Janeiro, e subida do valor do subsídio de refeição, para 9,95 euros (com efeitos a partir de Abril). A 14 de Julho, o SINTAB informou que foi alcançado acordo depois de os trabalhadores terem decidido avançar para greve ao trabalho suplementar. «Bastou essa demonstração de disponibilidade para lutar, para que a empresa alterasse a sua postura e aceitasse melhorar significativamente a proposta apresentada», realçou o sindicato, na nota que então emitiu à comunicação social.
No dia 30, o sindicato revelou a aprovação da renovação do Acordo de Empresa pelos trabalhadores da Coceda (Estrella Damm), com «valorização concreta das condições de trabalho e da remuneração».
A empresa assumiu os custos integrais com o seguro de saúde.
Há um aumento de 1,15 euros no subsídio de alimentação.
No regime de laboração contínua, passam a ser pagos 60 euros por cada dia trabalhado aos fins-de-semana, em vez do pagamento mensal. Esta alteração «representa uma melhoria muito significativa, para os trabalhadores abrangidos, podendo traduzir-se num acréscimo anual que, em média, ronda os três mil euros».
Duplica o valor do «prémio de absentismo», que passa de 50 para 100 euros.
Mantém-se no Acordo de Empresa a tabela salarial conquistada no processo negocial anterior e que «representa, em média, mais cerca de 30 euros mensais».
O SINTAB considera que este desfecho «demonstra a importância da negociação colectiva e da organização dos trabalhadores, na conquista de melhores salários, mais direitos e melhores condições de trabalho».




