- Nº 2749 (2026/08/6)
As declarações prestadas por Luís Neves, ministro da Administração Interna, três semanas após estalar a polémica relativa ao seu mandato como director da Polícia Judiciária (PJ), mantêm «pontas soltas», que «carecem de um melhor esclarecimento», salientou, no dia 30, António Filipe, membro do Comité Central do PCP. Segundo o dirigente, a conferência de imprensa realizada pelo governante não substitui a necessidade deste se submeter a questões dos deputados na Assembleia da República (AR).
Relativamente às explicações dadas por Luís Neves, António Filipe referiu ainda a «ligeireza» com que o ministro se endereçou às suas obrigações declarativas: «não se compreende que alguém que exerce um cargo público, como a responsabilidade de director nacional da PJ, desconheça que tem obrigações declarativas que tem de cumprir e também não se compreende a ligeireza como tratou as questões relacionadas com o licenciamento das suas obras particulares».
António Filipe considerou também «incompreensível» a transferência, apresentada como «boa gestão», de um atrelado e do seu conteúdo – apreendidos pela PJ numa operação de combate ao tráfego de droga – para as instalações do empreiteiro de Barcelos de quem Luís Neves é amigo. «Há aqui uma grande incompreensão quanto à impossibilidade de se encontrar uma solução no âmbito do Estado» e que tenha sido «posto à guarda de uma identidade privada», salientou.
«Registamos estas explicações, mas quer-nos parecer que não substituem a necessidade de haver um escrutínio a realizar pelo órgão de soberania competente que é a AR», afirmou.