- Nº 2749 (2026/08/6)
O presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Gianni Infantino, desistiu do negócio de privatizar os benefícios comerciais do Campeonato Mundial de Futebol mediante o envolvimento de uma sociedade de 20 mil milhões de dólares com investidores privados.
O recuo surgiu depois de o plano ter merecido a oposição generalizada das confederações da Europa (UEFA), da América do Sul (Conmebol), América do Norte e Central e Caraíbas (Concacaf) e Ásia (AFC), acompanhada de demissões de responsáveis no seio da equipa de trabalho do presidente da FIFA.
«Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projecto criou divisões que, independentemente do nível de apoio, já não são do interesse do objectivo estabelecido em primeiro lugar», justificou Infantino, em comunicado de 31 de Julho findo. «Em resultado disso, a proposta não avançará», assegurou.
O plano previa a criação de uma subsidiária comercial para gerir os campeonatos mundiais masculinos e femininos, assim como o campeonato mundial de clubes, concedendo 20 por cento de participação accionista a fundos privados. Entre os financeiros envolvidos na negociata figurava como «investidor âncora» uma empresa nova-iorquina fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
A rejeição institucional aumentou quando, no dia 30, as 55 federações da UEFA acordaram em boicotar o campeonato mundial e todas as provas da FIFA, decisão a que se juntaram a Conmebol, Concacaf e AFC. Esta posição punha em risco o campeonato do mundo sub-20 feminino, previsto para 5 de Setembro na Polónia.
«Algumas coisas são simplesmente demasiado importantes para serem vendidas», disse a UEFA – organismo que representa os vencedores de 13 campeonatos do mundo desde 1930 – em comunicado. «O campeonato do mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, nunca estará à venda», realçou.