PCdoB formaliza apoio à recandidatura de Lula
Os comunistas brasileiros formalizaram o apoio à recandidatura de Lula da Silva à presidência da República e aprovaram também Geraldo Alckmin para a vice-presidência. As eleições terão lugar em Outubro próximo.
Comunistas apoiam Lula «para avançar para um Brasil soberano, desenvolvido e com valorização do trabalho»
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) oficializou o seu apoio à candidatura do presidente Lula da Silva à reeleição e ratificou o actual vice-presidente, Geraldo Alckmin, como integrante da fórmula presidencial.
A decisão foi aprovada durante a Convenção Nacional do PCdoB, realizada de forma virtual, no dia 30 de Julho, e será apresentada à Federação Brasil da Esperança, integrada também pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Verde.
Na reunião participaram os membros do comité central do partido com direito a voto, assim como outros dirigentes e convidados, que também autorizaram a direcção partidária a realizar eventuais ajustes nas negociações eleitorais, conforme a legislação vigente.
Como parte da convenção, o partido apresentou o manifesto «Com Lula para avançar para um Brasil soberano, desenvolvido e com valorização do trabalho», documento que recolhe as principais prioridades programáticas que o PCdoB defenderá durante a campanha eleitoral. Entre elas figuram a ampliação dos investimentos públicos, a reindustrialização do país, a redução das taxas de juros e o fortalecimento da ciência e tecnologia.
Outros temas de relevância para os comunistas brasileiros são a transição ecológica, a defesa das empresas estratégicas nacionais e a ampliação da participação do Brasil em organismos multilaterais e mecanismos de cooperação internacional.
O manifesto também reivindica a defesa da democracia, a soberania nacional e a valorização do trabalho como eixo de um eventual novo mandato de Lula.
A presidente interina do PCdoB, Nádia Campeão, afirmou em vésperas da convenção que nas eleições presidenciais vão confrontar-se projectos distintos para o futuro do país.
Assinalou que a organização estará focada em contribuir para a reeleição do presidente e em ampliar a representação da Federação Brasil da Esperança no parlamento.
Além do apoio à fórmula presidencial, considerou estratégico fortalecer a base parlamentar das forças que apoiam um governo progressista para garantir a aprovação de reformas que impulsionem o desenvolvimento económico, a inclusão social e a consolidação da soberania brasileira.
Com a decisão adoptada no dia 30, o PCdoB renova formalmente a aliança política que manteve com o PT desde as eleições de 2022 e confirma a sua presença na coligação que procurará garantir um quarto mandato presidencial de Lula nas eleições de 4 de Outubro próximo.
Ingerência eleitoral dos EUA no Brasil
O presidente brasileiro, Lula da Silva, admitiu que os Estados Unidos da América (EUA) tentarão interferir nas eleições para favorecer a oposição, mas assegurou que o seu governo enfrentará a desinformação e defenderá a soberania nacional.
Durante uma entrevista concedida ao podcast Inteligência Ltda., o presidente disse que existe a possibilidade de uma intervenção norte-americana no processo eleitoral brasileiro e garantiu que a sua administração responderá com informação para responder às campanhas de notícias falsas.
«No Brasil a mentira não vai ganhar», afirmou Lula, insistindo que o governo desmontará qualquer informação falsa sobre o país. «Ninguém vai ganhar no Brasil mentindo. Vamos ganhar na narrativa. Vamos desmascarar cada mentira que contem sobre o Brasil», realçou.
Inquirido sobre uma eventual ingerência de Washington nas eleições presidenciais de Outubro próximo, respondeu que considera provável esse cenário. «Vão tentar interferir aqui, tratando de ajudar o outro lado a ganhar. (…) Mas nós vamos vencer», reiterou.
A propósito das relações bilaterais com os EUA, Lula contou que, durante um encontro realizado em Maio, entregou ao presidente Donald Trump quatro documentos com propostas de cooperação bilateral em áreas estratégicas – entre elas o combate ao crime organizado e ao narcotráfico, o comércio e a exploração de terras raras e minerais críticos – mas que nunca recebeu resposta a essas iniciativas. Responsabilizou o secretário de Estado, Marco Rubio, pela deterioração das relações bilaterais e por impulsionar medidas contrárias aos interesses do Brasil e da América Latina. «Eles querem que a América Latina volte a ser o pátio traseiro dos EUA», acusou.
Estas declarações têm lugar num clima de aumento de tensões entre os dois países, depois de Washington ter decidido impor novas tarifas aduaneiras a produtos brasileiros, com argumentos rebatidos pelas autoridades de Brasília, que consideram as medidas como uma jogada política mais do que comercial.




