- Nº 2749 (2026/08/6)
O presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, garantiu no sábado, 1, que cancelou uma nova ofensiva contra o Irão, respondendo a um suposto pedido feito por Teerão e outras capitais do Médio Oriente.
«Com base nesse pedido, aceitei, para benefício futuro do mundo e, igualmente, para a sobrevivência de um Irão exitoso e próspero, cancelar o ataque, na perspectiva que se possa rapidamente alcançar um acordo», escreveu na sua rede social Truth Social.
Afirmou que países aliados do Médio Oriente chegaram a um entendimento sobre os termos de um acordo para pôr fim à guerra com o Irão e que, por isso, adiou a ordem de novos ataques. Acrescentou que o acordo em vias de ser concluído «incluirá a abertura imediata, completa e total do Estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear do Irão».
O governo iraniano desmentiu que tivesse pedido aos EUA a suspensão dos ataques.
Foi, entretanto, noticiado em Riad que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, solicitou, no domingo, 2, ao presidente norte-americano, que priorize o diálogo para evitar que o Médio Oriente seja arrastado para um «conflito mais amplo».
Segundo um comunicado divulgado pela agência de notícias saudita SPA, Bin Salman, que falou com Trump ao telefone, sublinhou a necessidade de recorrer a soluções mais diplomáticas, que produzam resultados positivos para a preservação da segurança e da estabilidade na região.
O apelo da Arábia Saudita surge dois dias após Teerão ter ameaçado «incendiar» os seus vizinhos árabes com as «chamas da guerra», caso os EUA levem a cabo um ataque maciço contra o Irão.
«Todos os meios» para defender o Irão
O Ministério dos Assuntos Exteriores do Irão emitiu no dia 2 um comunicado em que assinala que, com base no direito internacional, usará todas as ferramentas para velar pela soberania e integridade da nação, que tem sido agredida desde Fevereiro pelos EUA. «Utilizaremos todos os meios para defender legitimamente os direitos e a segurança nacional», ressalta o texto.
O governo iraniano menciona que o bloqueio naval levado a cabo por Washington e a ofensiva contra infraestrutura civil são exemplos de «actos de agressão», bem como de acções que violam a Carta das Nações Unidas.
Recorde-se que Teerão e Washington, na sequência da violação pelos EUA do acordado entre as partes, recomeçaram a troca de ataques a 7 de Julho, menos de três semanas depois de os presidentes dos dois países terem assinado um «memorando de entendimento» para pôr fim aos combates e abrir caminho às negociações de acordo final.
Washington agrava «tensões regionais»
O comandante do Quartel General Central Khatam AI-Anbiya do Irão, Ali Abdollahi, acusou os EUA de aplicar uma política de incitação à guerra que, segundo advertiu, aprofundará o conflito e as tensões na região.
Abdollahi, responsável pela coordenação das operações militares das forças armadas iranianas, afirmou que a estratégia norte-americana procura impor a sua hegemonia regional mediante métodos ilegítimos.
De acordo com declarações difundidas por meios de informação iranianos, o alto responsável disse que Washington não hesitará em lançar ataques contra os interesses e recursos dos países muçulmanos para alcançar o que qualificou de «objectivos diabólicos».
Alertou os Estados da região de que os EUA utilizam os seus recursos, riqueza e infraestrutura como um escudo para proteger a sua presença militar e garantir a segurança de Israel. Segundo ele, Washington pretende que os países regionais assumam os custos humanos, económicos e políticos da guerra, pelo que os instou a reconsiderar a sua cooperação com o governo norte-americano.