- Nº 2749 (2026/08/6)

Regresso à «normalidade» após acontecimentos em Ceuta

Internacional

A situação em Ceuta regressa à «normalidade» e está sob controlo das autoridades espanholas, depois da entrada forçada no enclave de 50 mil candidatos à migração que, entretanto, na sua grande maioria, já regressaram a território marroquino.

O delegado do governo espanhol em Ceuta, Miguel Pérez Triano, afirmou, no domingo, 2, que morreram pelo menos 72 migrantes durante a entrada de 50 mil pessoas, no dia 30, na cidade norte-africana. Informou que, 48 horas depois, a grande maioria dos migrantes que forçaram a entrada em Ceuta já regressou a território marroquino. Assegurou que Ceuta «volta à normalidade» e que a situação está sob controlo das autoridades.

Entretanto, o partido Sumar, aliado do governo espanhol, enviou uma carta ao relator especial da ONU sobre Direitos Humanos dos Migrantes a pedir que examine a responsabilidade de Marrocos nos acontecimentos em Ceuta. Argumentou que a entrada de 50 mil pessoas procedentes de Marrocos não é «compatível» com o fluxo migratório habitual e poderia indicar «uma facilitação activa por parte das autoridades marroquinas».

Já o governo de Rabat atribuiu esta «crise migratória» a «redes de tráfico de pessoas, a desinformação e a mal-entendidos».

Observadores lembram que Marrocos provocou uma situação semelhante em 2021, quando abriu a fronteira para permitir a entrada em Ceuta de 10 mil pessoas. Na altura, tratou-se de «punir» Madrid por ter autorizado Brahim Ghali, líder da Frente Polisário, a receber tratamento num hospital de Logroño. Hoje, o pretexto será a visita do primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, à Argélia, que apoia as reivindicações independentistas do povo do Sahara Ocidental, território ocupado por Marrocos, apoiado pelos EUA e por Israel.

O presidente dos EUA reiterou agora o reconhecimento da soberania de Marrocos sobre o Sahara Ocidental e destacou o interesse em contribuir para o desenvolvimento económico do país africano e da ex-colónia espanhola. A publicação de uma mensagem de Donald Trump, no dia 1, por Rabat, coincidiu com os acontecimentos em Ceuta.

Numa carta ao rei Mohamed VI, o presidente norte-americano escreveu que «os EUA são claros: reconhecemos a soberania de Marrocos sobre o Sahara Ocidental e apoiamos a proposta marroquina de autonomia séria, credível e realista como a única base para uma solução justa e duradoura». Trump sublinhou «a valiosa associação» de Washington com Rabat na concretização dos Acordos de Abraão.

 

Nota do PCP sobre o ocorrido em Ceuta

«Os acontecimentos ocorridos em Ceuta, com a passagem de milhares de pessoas para este território de Espanha no norte de África, são inseparáveis de uma dimensão humanitária que explica muitas das movimentações migratórias em busca de uma vida melhor», afirmou o PCP, no dia 31 de Julho, em nota do seu Gabinete de Imprensa.

«Não subestimando as exigências colocadas ao Estado espanhol, não se pode deixar de denunciar o aproveitamento que alguns pretendem fazer para a sua agenda reaccionária e xenófoba com o agigantamento da situação», consideram os comunistas.

O PCP defende que «é ao abrigo deste agigantamento que se devem ler as posições dos que irresponsavelmente propõem o fecho da fronteira com Espanha num mês de entrada de milhares de cidadãos oriundos de países não Schengen em Portugal».