Processo de «asfixia colectiva» dos EUA contra Cuba
Cuba denunciou o plano de «asfixia colectiva» dos EUA contra o povo cubano. O presidente Díaz-Canel ratificou um pacote de reformas económicas para proteger o sistema socialista face à situação financeira e às ameaças de agressão militar.
«Não haverá privatização da saúde, da educação, da ciência, da cultura, nem dos serviços estratégicos para o país»
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, denunciou que os Estados Unidos da América (EUA) intensificaram as medidas de pressão sobre a ilha mediante um «cerco energético» que procura provocar um colapso económico e uma convulsão social. Comparou esta estratégia com os métodos de extermínio pela fome aplicados durante a época colonial espanhola em finais do século XIX.
Durante o discurso de encerramento do 7.º período ordinário de sessões da Assembleia Nacional do Poder Popular, o chefe do Estado cubano afirmou que a nação caribenha recebeu um só navio de combustível nos últimos sete meses, como consequência directa da ordem executiva assinada pela administração norte-americana em Janeiro de 2026, a qual ameaça aplicar sanções aos países e companhias de transportem hidrocarbonetos par Cuba.
Diaz-Canel enfatizou que a falta de diesel e fuel impactou severamente o sistema electroenergético nacional, provocando prolongados apagões que afectam a vida quotidiana das famílias cubanas.
«Sem que haja terminado totalmente o genocídio sobre Gaza, tenta-se reeditá-lo sobre mais de nove milhões de cubanos através de um bloqueio económico e um cerco energético que levaram o sofrimento a níveis extremos», denunciou, comparando a perversidade do plano dos EUA contra Cuba à fome forçada que dizimou a população em fins do século XIX.
O presidente pormenorizou que o défice energético paralisou sistemas de bombagem de água, interrompeu colheitas agrícolas, afectou a operacionalidade em centros de saúde e golpeou a infra-estrutura turística e industrial. A isto soma-se o bloqueio de contas e a perseguição à cooperação médica e ao investimento estrangeiro, mediante leis impostas em Maio por Washington.
Medidas económicas e defesa da soberania
Perante a profunda crise financeira e as ameaças diplomáticas e militares na região, que incluíram denúncias sobre o cenário geopolítico na América Latina e agressões contra países aliados, Díaz-Canel ratificou a implementação de 176 medidas para a transformação económica e social aprovadas pelo governo cubano.
O executivo cubano precisou que mais de 120 destas leis encontram-se prontas para a sua aplicação. As reformas visam libertar as forças produtivas, outorgar maior autonomia aos municípios e empresas estatais e incentivar alianças entre o sector público e as formas de gestão privada.
Não obstante, o presidente sublinhou de forma categórica que estas transformações não respondem a exigências externas nem significam um retorno ao capitalismo. «Não haverá privatização da saúde, da educação, da ciência, da cultura, nem dos serviços estratégicos para o país. O que existe é a vontade política de os recuperar todos e gerar riquezas para os elevar a níveis de qualidade superior», pontualizou.
A sessão parlamentar, celebrada no Palácio de Convenções, em Havana, no quadro do «Ano do centenário do comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz», começou com uma homenagem ao comandante da Revolução Ramiro Valdés Menéndez pela sua trajectória histórica e presença ininterrupta no Parlamento desde 1976.
O presidente Díaz-Canel concluiu a sua intervenção reiterando a disposição de Cuba para o diálogo com respeito mútuo com os EUA sob o princípio da não ingerência, ao mesmo tempo que reafirmou que o povo cubano defenderá a sua soberania e independência frente a qualquer tentativa de agressão militar ou desestabilização interna.




