Reaccionarices, propaganda e preocupações

Rui Fernandes

Os profissionais das forças de segurança esperam respostas do Governo e do MAI

Se bem nos recordamos, foi com o foco no tema da imigração que o Governo iniciou funções, associando-lhe, claro está, as questões de segurança e passado um ano o da tema imigração continua a alimentar a agenda reaccionária do Governo, com os respectivos derivados em matéria de segurança. Seja a propósito das denominadas “caras tapadas”, seja em volta da lei do retorno, o Governo PSD/CDS promove e alimenta uma agenda profundamente reaccionária, que não só converge com o Chega, como lhe fornece “munições” para prosseguir a sua agenda.

Não se está – é bem de ver e bem o sabemos – a resumir a destrutiva acção do Governo a esta temática. Está-se tão só a anotar que esta não só não sai do radar, como serve de biombo para procurar esconder outras maldades em desenvolvimento.

Sabemos os dotes, suportados nos meios adequados, para a promoção de propaganda por parte do Governo. Por exemplo, ouvir e sobretudo ler, noticias que vão saindo sobre a área da Defesa Nacional e Forças Armadas é de ficar com o queixo caído de espanto. São milhões, armas, modernizações e investimentos, mas sobra só um pormaior: é que os militares, as pessoas concretas, não dão conta de alguma medida que se lhes dirija. Mesmo a conversa, várias vezes repetida, dos aumentos, é bom que se saiba que ocorreram para os militares (Praças) na entrada da carreira; que os dos Quadros Permanentes (Praças da Armada) saltaram escalões, mas deixaram de ter tantos quantos tinham na versão anterior e isso vai originar que durante muitos anos não terão quaisquer progressões. Ou seja, foi o “toma agora 200 euros” e a seguir marcas passo. Mas tem dado para a propaganda. Quanto à esmagadora maioria dos militares a realidade é marcada por um zerinho. Muita conversa sobre tecnologia, etc, etc, mas melhores salários, perfis de carreira a pensar no futuro, sistema de promoções e respectivas avaliações, funções, etc, nada.

Mas olhando para as forças de segurança, o panorama mantém-se, evidenciando-se sinais de preocupação. Os créditos do ministro da Administração Interna (MAI), fruto do seu passado e estilo de intervenção, não são eternos. O MAI foi o que foi e hoje é o que é, ou seja, é ministro. E é nesta qualidade de ministro que os profissionais das forças de segurança esperam respostas. Respostas que duas reuniões com as estruturas sindicais, tendo por base o acordo de 2024, nada de substancial somaram.

Paralelamente, a esmagadora maioria dos polícias do curso terminado no fim de Maio foram desviados para os aeroportos. Surge a proposta, justa, de um mitigado subsídio para os profissionais da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras, desinserido da abordagem mais global à matéria dos subsídios e suplementos. Num momento fala-se em fecho de esquadras, noutro já não é bem assim, critica-se a alimentação das polícias municipais de Lisboa e Porto por via da PSP, para a seguir defender mexidas nas competências.

Seria suposto pensar que deste MAI haveria uma visão estratégica de abordar os problemas e não um “atirar de bolas ao ar” para virtudes mediáticas. E se era certo pensar-se que Luís Neves não era incauto, inexperiente ou ingénuo, será também adequado que o próprio não parta do princípio que é o único que “não come gelados com a testa”.

Os alertas quanto ao estado da arte não faltam. Alertas sinceros, honestos, e não dos que pautam a sua intervenção pelo quanto pior melhor. Alertas efectuados em devido tempo e que agora ganham uma outra expressão face às noticias saídas, questionando práticas nas suas anteriores funções e o ensaio de explicação produzido.

 



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