- Nº 2747 (2026/07/23)

Três notas sobre o Estado

Opinião

A propósito do debate sobre o estado da nação, ouvimos o discurso de Luís Montenegro e quase nem acreditávamos. Os principais problemas do País ficaram arredados da conversa do primeiro-ministro, que traçou da realidade uma imagem que deve ter mandado apurar na inteligência artificial, para se adequar ao retrato de um governo que faz e está a resolver os principais nós que afligem o povo português.

Mas de fora ficaram as principais consequências da política de direita, que o Governo PSD/CDS leva ainda mais longe que os seus antecessores do PS. Lembremos apenas três notícias das últimas semanas que se metem olhos dentro de quem queira ter uma ideia clara do verdadeiro estado da nação.

A primeira, no DN, diz que quatro em cada 10 jovens têm de recorrer a um segundo emprego para sobreviver. Ou seja, 40 por cento dos jovens precisam, para se manter, pagando as suas contas, de arranjar um segundo emprego, pois o que ganham num deles, ignorando as habilidades de Montenegro que garante que a sua governação garantiu o substantivo aumento dos rendimentos de quem trabalha, não é suficiente.

A segunda, do CM, refere que há cada vez menos pessoas a beneficiar da isenção de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde. O mesmo é dizer que, invertendo uma tendência que a luta dos utentes e a acção do nosso Partido impuseram, apesar do serviço se ter degradado, pela mão dos que querem favorecer o negócio dos privados, há cada vez mais gente a ter de pagar pelo acesso ao Serviço Nacional de Saúde.

A terceira, no JN, informa-nos que as mulheres continuam a ganhar 244 euros a menos que os homens, por trabalhos idênticos, numa dinâmica de discriminação e exploração agravada que se eterniza.

Como o Secretário-Geral do Partido na altura denunciou, Montenegro falou de um País que não existe para ignorar o País que sofre. O País adiado, porque é isso que interessa ao capital, o País esquecido, porque as respostas que precisa não interessam aos poderosos, mas também o País que luta porque não se resigna ao estado a que isto chegou.

 

João Frazão